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Polícia

Tio de envolvido no caso Bruno: "tudo vai acabar na 1ª versão"

23 jul 2010 - 11h29
(atualizado às 11h37)
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Bernardo Bercht

O tio do menor J., suspeito de participar do sequestro de Eliza Samudio, acredita que as mudanças de depoimento do seu sobrinho e de Sérgio Rosa Sales, o Camelo, são manobras de advogados. "Tudo vai acabar na primeira história que contei. É tudo para tontear a opinião pública. Eles vão cair em contradição", afirmou.

Menor teria revelado diálogo em que Macarrão (foto) afirmou que iria matar Eliza
Menor teria revelado diálogo em que Macarrão (foto) afirmou que iria matar Eliza
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra

Quando foi apreendido pela polícia, em 6 de julho, o menor relatou que a vítima foi levada ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, em Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte. Bola teria estrangulado Eliza até a morte e esquartejado seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial teria jogado os restos mortais para rottweillers.

Sobre a tese da defesa do goleiro Bruno, de Macarrão e dos outros envolvidos, de que o menor teria sido coagido pela polícia para revelar detalhes como o da mão de Eliza ter sido jogada para os cachorros, o tio reforçou ao Terra que relatou tudo em uma entrevista de rádio antes de J. ser questionado pelas autoridades. "O que está valendo é o que ele falou primeiro. A primeira vez que ele veio falar comigo aqui em casa."

"A saída dos envolvidos é jogar tudo no menor. Até o pai e a mãe dele foram levados a acusar o garoto de tráfico. Ele pode até usar maconha, mas quem conhece o menino sabe que ele não é dessas coisas", disse o tio. Segundo ele, a família do menor teria feito as acusações por ser "sustentada" por Bruno. "A mãe do J. trabalha na casa da Dayanne (Rodrigues, mulher do goleiro) e o pagamento é feito pelo Bruno. O pai é parente do Bruno. Eles não querem comprometer a sua mordomia."

O tio contou que, quando o menor foi a sua casa pedir abrigo, revelou que em diversas conversas o amigo de Bruno, Macarrão, demonstrou agressividade contra Eliza. "Ele falou para o J. pouco tempo antes do crime: 'Vou acabar com essa mulher, eu vou matar ela'. Quando ele me contou, achei que seria uma discussão qualquer, mas depois tudo se confirmou."

Na entrevista, ele voltou a negar que Bruno tenha planejado a morte da ex-amante. "O grande problema do Bruno é ele ter chegado lá, visto aquela situação e não tirar a menina de lá, levar embora", disse. "O Bruno consentiu depois da coisa feita. O safado do Macarrão empurrou tudo na cabeça do garoto. Foi tudo maquinado por ele."

De acordo com o tio, J. afirmou que quando ele e Macarrão voltaram ao sítio, ele ouviu Bruno dizer: "Se vocês já fizeram essa bobagem, agora estou indo embora e vocês segurem a bronca".

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Fonte: Redação Terra
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