Tio de envolvido no caso Bruno: "tudo vai acabar na 1ª versão"
- Bernardo Bercht
O tio do menor J., suspeito de participar do sequestro de Eliza Samudio, acredita que as mudanças de depoimento do seu sobrinho e de Sérgio Rosa Sales, o Camelo, são manobras de advogados. "Tudo vai acabar na primeira história que contei. É tudo para tontear a opinião pública. Eles vão cair em contradição", afirmou.
Quando foi apreendido pela polícia, em 6 de julho, o menor relatou que a vítima foi levada ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, em Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte. Bola teria estrangulado Eliza até a morte e esquartejado seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial teria jogado os restos mortais para rottweillers.
Sobre a tese da defesa do goleiro Bruno, de Macarrão e dos outros envolvidos, de que o menor teria sido coagido pela polícia para revelar detalhes como o da mão de Eliza ter sido jogada para os cachorros, o tio reforçou ao Terra que relatou tudo em uma entrevista de rádio antes de J. ser questionado pelas autoridades. "O que está valendo é o que ele falou primeiro. A primeira vez que ele veio falar comigo aqui em casa."
"A saída dos envolvidos é jogar tudo no menor. Até o pai e a mãe dele foram levados a acusar o garoto de tráfico. Ele pode até usar maconha, mas quem conhece o menino sabe que ele não é dessas coisas", disse o tio. Segundo ele, a família do menor teria feito as acusações por ser "sustentada" por Bruno. "A mãe do J. trabalha na casa da Dayanne (Rodrigues, mulher do goleiro) e o pagamento é feito pelo Bruno. O pai é parente do Bruno. Eles não querem comprometer a sua mordomia."
O tio contou que, quando o menor foi a sua casa pedir abrigo, revelou que em diversas conversas o amigo de Bruno, Macarrão, demonstrou agressividade contra Eliza. "Ele falou para o J. pouco tempo antes do crime: 'Vou acabar com essa mulher, eu vou matar ela'. Quando ele me contou, achei que seria uma discussão qualquer, mas depois tudo se confirmou."
Na entrevista, ele voltou a negar que Bruno tenha planejado a morte da ex-amante. "O grande problema do Bruno é ele ter chegado lá, visto aquela situação e não tirar a menina de lá, levar embora", disse. "O Bruno consentiu depois da coisa feita. O safado do Macarrão empurrou tudo na cabeça do garoto. Foi tudo maquinado por ele."
De acordo com o tio, J. afirmou que quando ele e Macarrão voltaram ao sítio, ele ouviu Bruno dizer: "Se vocês já fizeram essa bobagem, agora estou indo embora e vocês segurem a bronca".
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.