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Suspeito não confessou participação na morte de cinegrafista, diz delegado

Caio Silva de Souza não admitiu nem negou nada do que lhe é atribuído, conforme delegado; Polícia Civil reitera que foi ele quem acendeu o rojão

12 fev 2014
11h08
atualizado às 14h09
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<p>Delegado Maurício Luciano (esq.) anunciou a prisão do suspeito no município de Feira de Santana, na Bahia; ele concedeu coletiva horas depois no Rio de Janeiro ao lado do chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso (dir.)</p>
Delegado Maurício Luciano (esq.) anunciou a prisão do suspeito no município de Feira de Santana, na Bahia; ele concedeu coletiva horas depois no Rio de Janeiro ao lado do chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso (dir.)
Foto: Mauro Pimentel / Terra

O delegado que investiga a morte do cinegrafista Santiago Andrade informou em coletiva à imprensa nesta quarta-feira que o suspeito de ter lançado o rojão não confessou participação no crime. De acordo com Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), do Rio de Janeiro, Caio Silva de Souza seguiu orientação do advogado e, em depoimento à polícia, disse que só falaria em juízo.

"Ele deixou muito claro que não falaria a respeito dos fatos. Sendo ouvido na delegacia, manteve esse posicionamento e disse que se reserva a falar em juízo. Caio não admitiu nem negou nada que lhe é atribuído", afirmou o delegado Maurício Luciano na Cidade da Polícia, um conjunto de unidades policiais no Rio. "Para a polícia, a confissão é apenas mais um elemento de garantia. Nós temos provas técnicas, testemunhais e vídeos comprovando a participação."

O responsável pela investigação do caso descreveu as provas que incriminariam o suspeito. "Existe uma prova de vídeo captada pelo TV Brasil que é fundamental e mostra um passando o artefato pro outro (Fábio Raposo para Caio). Essa dinâmica, como ocorreu, nós já temos, e é um fato doloso, tanto é que o inquérito já está instruído nesse sentido para o judiciário, onde isso será decidido", afirmou o delegado. "Quem deflagra um rojão treme-terra tem o dolo, ao menos eventual."

Caio foi preso na madrugada desta quarta-feira em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia. Ele estava a caminho do município de Ipu, no Ceará, onde buscaria abrigo na casa dos avôs paternos, mas foi convencido pelo advogado Jonas Tadeu Nunes a se entregar. Ele desembarcou no Rio de Janeiro acompanhado de agentes civis e federais e foi logo encaminhado à Cidade da Polícia. Agora ele vai ser submetido a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e depois encaminhado ao sistema prisional, garantiu o delegado responsável pelo caso.

Suspeito de lançar rojão é apresentado para imprensa e hostilizado

“Ele estava extremamente acuado, confuso, com fome, sem comer há dois dias e sem dormir, em um quarto muito pequeno nessa pensão no município de Feira de Santana. O Caio, assim que foi preso, não esboçou qualquer reação, mas ele deixou claro que não falaria sobre os fatos", descreveu o delegado sobre o momento da prisão. Segundo ele, o suspeito "é uma pessoa talvez manipulada para essas manifestações", e sua situação "é de cortar o coração".

Agora caberá ao juiz que ainda será designado para o caso decidir se o suspeito se entregou mesmo, como defende o advogado, ou se ele fez tentativa de fuga, já que foi encontrado em outro Estado. Jonas Tadeu, que defende ambos os suspeitos de participação no caso, afirma que Caio não ofereceu resistência e interrompeu sua viagem ao Ceará para "se apresentar" à polícia.

<p>Polícia divulgou duas fotos de Caio Silva de Souza</p>
Polícia divulgou duas fotos de Caio Silva de Souza
Foto: Polícia Civil / Divulgação

"A polícia chegou primeiro ao Caio graças ao advogado", garantiu Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que também participou da coletiva. "Tudo que nossa inteligência obtia era corroborado pelo advogado, que mantinha contato telefônico com ele", completou o delegado, explicando como agentes chegaram até o suspeito. Ao encontrá-lo, os policiais descreveram que Caio se manteve calado sobre sua participação no ato contra o aumento da tarifa de ônibus que levou à morte do cinegrafista. "Ele está sendo muito cauteloso, talvez já instruído (pelo advogado) de não adiantar nenhuma informação", disse Maurício Luciano.

Após seguir os passos do suspeito até a Bahia e acompanhá-lo no voo de volta ao Rio de Janeiro, o delegado afirma que Caio Silva de Souza é uma pessoa "tranquila" – descrição corroborada por colegas de trabalho e vizinhos dele, que teriam ficado surpresos com a prisão. "Isso nos leva a crer que, em sua vida particular, sozinho, ele é uma pessoa, e no ambiente de uma manifestação, ele se transforma em outra, violenta. Acreditamos que o anonimato da multidão fez ele ser motivado a praticar o crime – foi essa a constatação que nós tivemos", finalizou o delegado responsável pelo caso.

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Atingido em protesto, cinegrafista tem morte cerebral
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Centro do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro. Além dele, outras seis pessoas ficaram feridas na mesma manifestação.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada pela secretaria no início da tarde de 10 de fevereiro, após ser diagnosticada pela equipe de neurocirurgia do hospital onde ele estava internado no Centro de Terapia Intensiva.

Para delegado que investiga morte de cinegrafista, houve intenção de matar

O tatuador Fábio Raposo confessou à polícia ter participado da explosão do rojão que atingiu Santiago. Ele foi preso na manhã de domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão.

Raposo ajudou a polícia a reconhecer um segundo responsável pelo disparo do artefato que causou a morte do cinegrafista. O tatuador, preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, afirmou, de acordo com o relato do delegado, que “eles se encontravam em manifestações" e que "esse rapaz tem perfil violento”.

'Profissional de imprensa vai à guerra todo dia no Rio', diz jornalista em homenagem a cinegrafista morto

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, na manhã do dia 11, uma foto do suspeito de ter acendido o rojão que atingiu Santiago Andrade. Caio Silva de Souza, 23 anos, tem duas passagens pela polícia e era considerado foragido desde que foi expedido um mandado de prisão temporária em seu nome. Fábio Raposo, que passou o rojão, reconheceu o autor do disparo a partir da imagem levada pelo delegado.

Procurado por homicídio doloso qualificado – quando há intenção de matar – por uso de artefato explosivo e pelo crime de explosão, o suspeito foi preso na madrugada de 12 de fevereiro em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia. De acordo com o advogado Jonas Tadeu Nunes, que também defende Fábio Raposo, Caio Silva de Souza seguia em direção ao Ceará, para a casa de um avô, mas foi convencido a se entregar. Ele não reagiu ao ser preso.

Fonte: Terra
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