Procurador-Geral destaca importância da colaboração em megaoperação que desmantelou esquema bilionário do PCC
Paulo Sérgio de Oliveira e Costa ressalta dimensão inédita da operação contra o PCC e comenta evolução do crime organizado
O Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que a operação, que desarticulou o esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC), representa um marco no combate ao crime organizado no Brasil. A ação, deflagrada nesta quinta-feira, 28, mirou fraudes no setor de combustíveis e revelou a inserção da facção na economia formal por meio de fintechs e fundos de investimento.
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Em entrevista à GloboNews, Paulo Sérgio classificou a operação como uma das maiores já realizadas no país. "É uma operação muito complexa. Uma das maiores, se não a maior do Brasil, tendo em vista que atinge inúmeros estados, governo federal, todos numa ação muito colaborativa”, declarou. Segundo ele, a maioria dos alvos já foi alcançada e um balanço parcial será organizado entre a noite desta quinta e a manhã de sexta-feira.
Ao analisar a evolução do esquema criminoso, o chefe do Ministério Público paulista lembrou que práticas de adulteração de combustível eram, no passado, tratadas como infrações ao direito do consumidor. A realidade, disse, mudou com o fortalecimento do PCC.
Oliveira e Costa explicou que, nos anos 2010, havia grupos desorganizados que ganharam dinheiro por meio da adulteração de combustível. A partir do fortalecimento do crime organizado, focado no PCC, em São Paulo, diversificou-se as ações nos mecanismos formais da economia. "Verificou-se que eles notaram nesse tipo de atividade comercial um grande ambiente para poder esconder seus lucros, lavar o dinheiro, investir e obter lucros abusivos", disse.
Ele ressaltou que o poder econômico acumulado pela facção permitiu a organização de estruturas de corrupção e cooptação. "O resultado disso que nós vemos hoje é a evolução do crime organizado no Brasil, onde talvez o Estado tenha falhado pela ausência de uma cultura de ações colaborativas", afirmou.
O procurador-geral destacou que o Estado brasileiro necessita "superar qualquer tipo de divisão ideológica e colocação política". "É um combate ao crime por parte do Brasil e a sociedade tem que cobrar isso por parte de todas as autoridades".
As investigações apontam que o PCC movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com sonegação de R$ 8 bilhões. A facção controlava fundos de investimento avaliados em R$ 30 bilhões, adquiriu um terminal portuário, usinas de álcool, caminhões-tanque e mais de 100 imóveis, incluindo fazendas em São Paulo e uma casa de luxo em Trancoso, na Bahia.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, também destacou a dimensão da ação: "Uma das maiores operações da história contra o crime organizado, sobretudo em sua atuação no mercado legal. Eu ousaria dizer também que é uma das maiores operações em termos mundiais", disse.