Operação mira policiais penais e detentos suspeitos de esquema em presídios de PE
Investigação iniciada há quase quatro anos identificou movimentações financeiras e empresas que teriam sido usadas para esconder recursos.
A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou a Operação Controle Paralelo contra um esquema de corrupção prisional envolvendo policiais penais e detentos. Foram cumpridos seis mandados de prisão e 14 de busca, além do bloqueio de bens. A apuração aponta que presos controlavam pavilhões mediante propina, com repasses a familiares. O grupo é investigado por lavagem de dinheiro via empresas de pescados, organização criminosa, extorsão e tráfico de drogas.
Uma operação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) cumpriu seis mandados de prisão e 14 de busca e apreensão nesta terça-feira, 25 de agosto. Os alvos são policiais penais, detentos e outros suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção dentro do sistema prisional.
Batizada de Controle Paralelo, a ofensiva também incluiu ordens judiciais para bloquear ativos financeiros e sequestrar bens dos investigados. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Vitória de Santo Antão.
A Polícia Civil não divulgou os nomes dos alvos, as unidades prisionais relacionadas à investigação nem o valor dos bens bloqueados. As pessoas investigadas ainda poderão apresentar suas defesas durante o andamento do processo.
Presos controlavam pavilhões, diz investigação
As apurações começaram em outubro de 2022 e apontaram que determinados presos recebiam vantagens para controlar e administrar pavilhões. Eles seriam conhecidos dentro das unidades como "chaveiros".
Segundo os investigadores, esses detentos teriam recebido poder para interferir na rotina dos pavilhões e conceder benefícios irregulares a outros internos. Em troca, pagamentos seriam realizados por meio de terceiros.
Parte dos valores também teria sido encaminhada para contas bancárias pertencentes a familiares de presos. A polícia apura suspeitas de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
O inquérito indica que a estrutura investigada não estaria limitada aos detentos e aos policiais penais que atuavam diretamente nas unidades. Há suspeitas de que pessoas ligadas à direção do sistema prisional também participassem das irregularidades.
Empresas teriam ocultado dinheiro
Outro núcleo da investigação acompanha a movimentação dos recursos supostamente obtidos pelo grupo. Empresas ligadas à criação de camarões e à comercialização de pescados teriam sido utilizadas para receber ou esconder o dinheiro.
A Operação Controle Paralelo é coordenada pelo Grupo de Operações Especiais, vinculado ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado.
A ação contou com apoio de unidades de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e operações especiais, além da Corregedoria da Secretaria de Defesa Social, da Polícia Civil de Alagoas e de outros órgãos. Esta foi a 64ª operação de repressão qualificada deflagrada pela Polícia Civil pernambucana em 2026.
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