Mulher agredida com socos e chutes na cabeça por PM em SP diz que estava 'em surto' e não oferecia perigo
Vítima afirma fazer tratamento com remédios controlados e não os tomava há algumas semanas
A mulher de 30 anos agredida por um policial militar em um prédio no Centro de São Vicente (SP) afirmou que estava em surto por falta de medicação durante o episódio.
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A situação ocorreu na última quinta-feira, 19, e foi filmada por moradores do edifício. À TV Tribuna, a vítima afirmou que se exaltou durante uma conversa com o porteiro do edifício e admitiu que estava gritando, o que incomodou vizinhos. No entanto, ela explicou que estava em surto, já que faz tratamento com remédios controlados e não os tomava há algumas semanas.
"Me deixou um pouco exaltada", relatou a mulher, que não teve a identidade revelada. "Tinha câmeras do próprio funcionário me filmando, eu falando para ele que não precisava me filmar, porque o prédio todo tem câmeras”.
A polícia foi acionada por conta de reclamações de barulho e, ao ser abordada, tentou dar um tapa em um dos agentes, mas não o atigiu. Na sequência, as agressões por parte do policial começaram. Um dos agentes ainda chutou a cabeça da mulher.
Ao Terra, a Prefeitura de São Vicente informou, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para atender a ocorrência. A mulher, de 30 anos, foi encontrada com um ferimento corto-contuso (lesão que combina o impacto de uma pancada com a ruptura da pele) na região da cabeça.
Após os primeiros atendimentos, ela foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central. Nas imagens que circulam nas redes sociais, é possível ver uma poça de sangue ao lado da mulher.
Depois, ela foi levada à Delegacia de Polícia de São Vicente, onde apresentou um "novo surto", de acordo com o boletim de ocorrência. O Samu foi novamente acionado e a encaminhou ao Pronto-Socorro do Humaitá para continuidade do atendimento médico. O caso foi registrado como desacato.
"Se não tivesse sido agredida daquele jeito, não teria desacatado em nenhum momento o policial", declarou a mulher à TV. "Foi tudo para me defender daquela situação onde eu estava sozinha, não estava oferecendo perigo para ninguém".
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Militar apura as circunstâncias do fato. Os policiais que atenderam a ocorrência portavam câmeras operacionais portáteis (COPs) e as imagens serão analisadas.
"A instituição não compactua com excessos ou desvios de conduta, punindo com rigor todos os casos do tipo", diz a pasta em nota.
