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Polícia

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Estudante de medicina recifense denuncia médico por comentário racista no Instagram

O jovem de 24 anos registrou boletim de ocorrência após publicação em foto de formatura; Polícia Civil iniciou investigação.

7 set 2026 - 11h22
(atualizado às 11h52)
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Resumo
A Polícia Civil de Pernambuco investiga denúncia do estudante de medicina e doutorando João Lucas Brito, de 24 anos, vítima de ataques racistas, elitistas e xenofóbicos no Instagram. Em foto do seu ensaio de formatura, um médico de Brasília comentou ter saudades "de quando favelado não entrava em medicina", além de atacar instituições nordestinas. Bolsista do ProUni vindo de comunidade do Recife, o jovem registrou boletim de ocorrência e levará as provas reunidas ao Ministério Público estadual.

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) investiga uma denúncia apresentada pelo estudante de medicina e doutorando João Lucas Brito, de 24 anos, após comentários considerados racistas, elitistas e xenofóbicos serem publicados em uma foto dele no Instagram.

João Lucas Brito, de 24 anos.
João Lucas Brito, de 24 anos.
Foto: Reprodução/Redes sociais / Portal de Prefeitura

O boletim de ocorrência foi registrado na sexta-feira, 4 de setembro, por meio da Delegacia pela Internet. Segundo a corporação, o caso foi inicialmente classificado como injúria praticada em ambiente virtual, e as diligências para esclarecer os fatos já foram iniciadas.

João Lucas informou que pretende encaminhar o caso também ao Ministério Público de Pernambuco. O estudante preservou publicamente a identidade do autor das mensagens, mas afirmou ter reunido os dados necessários para a investigação.

Comentário foi publicado em foto de formatura

O episódio aconteceu após João Lucas compartilhar imagens do ensaio de conclusão do curso de medicina. Em uma das fotos, o universitário aparece usando um jaleco com o próprio nome bordado, óculos de lentes espelhadas e segurando o livro "Sobrevivendo no Inferno", dos Racionais MC's.

A publicação recebeu o seguinte comentário:

"Saudades de quando favelado não entrava em medicina... Bons tempos".

Segundo o relato do estudante, a mensagem foi escrita por um médico de Brasília que não o conhecia nem acompanhava seu perfil. Durante uma discussão com pessoas que defenderam João Lucas, o autor teria se identificado como médico e divulgado o número de registro profissional.

Outras mensagens também teriam questionado a credibilidade das instituições de ensino superior do Nordeste. Por esse motivo, João Lucas afirmou entender que o episódio reúne elementos de racismo, elitismo e xenofobia.

Os comentários foram posteriormente excluídos da rede social. O universitário, no entanto, guardou capturas de tela que deverão ser utilizadas na investigação. A reportagem consultada não apresentou um posicionamento do médico acusado.

Origem foi incorporada ao ensaio

João Lucas nasceu e cresceu na Comunidade do Cardoso, localizada no bairro da Madalena, na Zona Oeste do Recife. Segundo ele, os objetos escolhidos para as fotografias representam referências culturais presentes em sua trajetória.

O estudante contou que cresceu ouvindo as músicas dos Racionais MC's na comunidade. Por isso, decidiu incluir no ensaio o livro baseado no álbum lançado pelo grupo de rap em 1997.

Ao responder publicamente ao comentário, João Lucas afirmou que não considera a palavra "favelado" uma ofensa. Para o universitário, o termo faz parte de sua origem e identidade.

Ele também questionou:

"Por que um médico favelado incomoda tanto?".

Estudante será primeiro médico da família

Bolsista integral do Programa Universidade para Todos (ProUni), João Lucas cursa o 11º período de medicina em uma instituição particular. Ele deverá ser o primeiro médico da família.

Aos 23 anos, o recifense foi aprovado em um doutorado de Saúde Integral no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). A formação ocorre por meio de um programa MD-PhD regulamentado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O modelo permite que ele desenvolva a pesquisa de doutorado ao mesmo tempo em que conclui a graduação. O estudo aborda as disparidades étnico-raciais entre os nascidos vivos no Brasil.

O cronograma acadêmico prevê um intercâmbio no Canadá em 2027 para o desenvolvimento da tese. A pesquisa deve ser concluída em 2028.

Ao divulgar o caso, João Lucas ressaltou que suas conquistas não deveriam ser usadas para justificar o direito de ocupar uma vaga na universidade. Para ele, qualquer pessoa merece respeito independentemente do currículo, da origem social ou do lugar onde nasceu.

Portal de Prefeitura
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