Escutas revelam que 'Batman' fazia ameaças de guerras
No "Big Brother Brasil", o Big Fone tornou-se uma espécie de terror dos moradores da casa. Na vida real, a milícia criou algo parecido. Seus recados, no entanto, são bem mais ameaçadores. E a eliminação é da vida. Quem atendia às ligações ouvia uma voz aterradora, dando um recado macabro: "É o Batman!". O anúncio era feito pelo próprio "chefe operacional" da Liga da Justiça. Durante meses, a polícia monitorou suas conversas por meio de grampos autorizados pela Justiça. E agora O DIA revela a frieza do criminoso na hora de mandar seus avisos.
Como O DIA mostrou na semana passada, o ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, chegou a autorizar a morte de desafetos, debochando das vítimas, às gargalhadas, por telefone. Num dos trechos revelados, ouve-se até o som dos tiros. Antes de ser preso, em maio do ano passado, Batman dava o tom sinistro da conversa logo no início do diálogo.
Na chamada interceptada pela polícia, a resposta ao nome "Batman" veio em tom de susto: "Tá de brincadeira?!". Mas ele não estava. A ligação foi feita para o telefone de uma cooperativa de transporte alternativo da Zona Oeste. Com a voz tranquila, Batman fala com um estarrecido interlocutor, que trabalha para os rivais Sérgio Ricardo Souza de Lima, o De Lima, e seu pai, Delson.
"Não tô de brincadeira, não. Quem tiver trabalhando aí vai sofrer as consequências". O diálogo está entre dezenas de milhares de ligações gravadas pela Missão Suporte, criada pela Polícia Civil ano passado e que resultou na prisão do miliciano.
Na conversa, Batman procura De Lima, mas não o encontra. Então, manda seu recado pelo funcionário da cooperativa, identificado como Paulo, para que o policial pare de cobrar taxas das vans de linhas como Urucânia e Varandas. "O senhor avisa a ele que a partir de segunda-feira eu vou acabar com essa linha aí. (...) Tá comprando um barulho de Chico Bala... minha guerra é com Chico Bala, não é nem com ele", ameaça. Em seguida, Paulo também sofre intimidação. "O senhor é trabalhador. Se eu fosse o senhor, até pulava fora, hein?!".
Batman revela toda a sua audácia ao gravar uma mensagem na secretária eletrônica do celular de De Lima: "Já te avisei, vou falar mais uma vez. Mas eu tô vendo que vocês não estão querendo acordo. Vocês estão querendo guerra, vocês vão ter, parceiro. Me liga aí, vou esperar teu contato hoje até meia-noite. Se não ligar...".Recado em alto e bom som de miliciano: "não vou medir consequência"
O ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, o braço armado da Liga da Justiça, telefona para a cooperativa de De Lima e ameaça dois funcionários. Acusa o desafeto de ligação com o rival Chico Bala e deixa um recado claro. Diz que vai "acabar com tudo".
Batman: Bom dia, Seu Paulo. Por favor, o De Lima tá aí?
Paulo: Aqui não tá, não. Quem é que tá falando?
Batman: É o Batman.
Paulo: Tá de brincadeira comigo, né?
Batman: Não, não tô de brincadeira, não, Seu Paulo. Só tô ligando porque sei que o senhor é uma pessoa do bem. Então, o De Lima, já liguei duas vezes para o celular dele e ele não tá me atendendo. O senhor avisa a ele que a partir de segunda-feira eu vou acabar com essa linha aí. Vocês estão cobrando uma porrada de linha que não é de vocês. (...). Vou cair pra dentro dessa cooperativa e vou acabar. Quem 'tiver' trabalhando aí, vai pagar as consequências também. Eles têm que devolver o que é meu. Não vou medir consequência, não. E o senhor é trabalhador. Se eu fosse o senhor, até pulava fora, hein?!
Paulo: Tá certo.
Batman: Pode ter certeza, eu vou acabar com essa cooperativa. Porque o que vocês estão fazendo comigo é sacanagem, entendeu? Tá comprando um barulho de Chico Bala... Minha guerra é com Chico Bala, não é nem com ele (De Lima), nem com o pai dele (Delson). Pô, neguinho fica dando tiro aqui nos meus moleques que tão trabalhando. Infelizmente, tô num prejuízo do c... e vou correr atrás, certo?
Paulo: Peraí, ô Ricardo. Fala aqui com o Agno também.
Batman: Tranquilo? É o Ricardo quem tá falando.
Agno: Ô, Ricardo.
Batman: A partir dessa semana eu vou cair pra dentro dessa linha aí, parceiro. Não vou medir consequência. Fui preso, vieram aqui em Campo Grande, tomaram tudo que é meu, entendeu? Junto com aquele safado, aquele Gaguinho e aquele Escangalhado... Agora eu quero o que é meu de volta. Entendeu?
Agno: Entendi.
Batman: Eu não queria fazer isso. Só que eu tô sendo obrigado a fazer a mesma coisa que eles estão fazendo.
Agno: Tô entendendo.
Batman: Se eu fosse vocês, até pulava fora dessa porra, porque eu vou botar esse bagulho pra pegar fogo, mano.
Agno: Tá OK. (...) Obrigado pelo...
Batman: Você me desculpa aí... Infelizmente, é uma guerra e eu não vou ficar deixando entrar dinheiro pra eles e eles comprando arma par fortalecer os caras pra vir me dar tiro. Falou, irmão?
Na sequência, Batman liga para o celular de De Lima e deixa uma ameaça na caixa postal. Caixa postal: No momento não posso atender. Deixe seu recado que retornarei a ligação.
Batman: Fala aí, De Lima. Tô aguardando teu contato aí, irmão. Fazer um acordo, mano, tô querendo fazer um acordo, vocês não tão querendo... Vão arrumar problema, parceiro. Não tô querendo problema contigo nem com o Popeye, já te avisei. Mas eu tô vendo que vocês não tão querendo acordo, vocês tão querendo guerra. Vocês tão querendo guerra, vocês vão ter. Me liga aí, vou esperar teu contato hoje até meia-noite, parceiro. Se tu não ligar...