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"É como um punhal no coração", diz pai de jovem morto na USP

Bancário e podóloga, pais de Victor Hugo Santos, encontrado morto após uma festa na USP, disseram que o filho saíra de casa "para voltar" e que não tinha desafetos

26 set 2014
17h36
atualizado às 20h46
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Um “punhal enfiado no peito” que machuca e não deixa a vítima morrer. Foi essa a analogia feita nesta sexta-feira pelos pais do estudante Victor Hugo Santos, 20 anos, para explicar a dor pela morte do filho. O corpo do jovem foi encontrado na raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP), na última segunda-feira, depois de o estudante desaparecer de uma festa promovida pelo grêmio da Escola Politécnica, dias antes, no Velódromo do campus.

Ceifaram a vida do meu filho, diz pai de jovem morto na USP

Moradores de Osasco, na Grande São Paulo, o bancário José Marques dos Santos e a mulher, a podóloga Vilma da Consolação Costa Santos, ambos com 56 anos, deram entrevista coletiva ao lado do advogado, Ademar Gomes, no escritório dele em São Paulo.

“Isso é um punhal que ficam enfiando no seu coração, machucando, e não deixam você morrer. É uma dor insuportável , e o que nos move é que somos cristãos, acreditamos em Deus. Mas o vazio é profundo: a gente não está preparado para perder os pais, que dirá perder um filho”, disse o pai, para quem o estudante era uma pessoa pacata e gentil. “Meu filho é uma das pessoas mais lindas do mundo, gente. O corpo se foi, mas a alma dele está aqui, dentro do coração da gente”.

Emocionado, o casal divulgou uma conta no Facebook criada para coleta de informações que ajudem a esclarecer a morte do jovem, a qual evitou classificar como assassinato – já que a Polícia Civil apontou escoriações na face do jovem e aparente ausência de água nos pulmões, o que descartaria afogamento. O exame de necropsia do cadáver, contudo, ainda não ficou pronto.

Estudante não usava drogas, dizem pais
De acordo com o casal, o estudante cujo corpo passou por exame toxicológico, não era usuário de drogas e bebia em festas dentro da normalidade, além de ter o hábito de informar os pais, por mensagem de celular, sempre que saía de casa. Segundo eles, o filho foi com amigos para USP por volta das 22h, e a ausência teria causado preocupação maior quando, no dia seguinte, por volta das 9h, a mãe de um dos amigos os comunicou que a turma não conseguira localizar Vitor.

<p>Os pais do estudante em entrevista coletiva, nesta sexta-feira, 26 de setembro</p>
Os pais do estudante em entrevista coletiva, nesta sexta-feira, 26 de setembro
Foto: Janaina Garcia / Terra

Conforme a mãe da vítima, os amigos que foram com ele à festa relataram ter visto Vitor pela última vez por volta de 4h30 ou 5h, quando passava apressado, no meio da multidão, aparentemente para buscar cerveja. A festa era do tipo open bar e teria shows da banda CPM22 e do músico Marcelo D2.

“Meu filho saiu pensando em voltar, tanto que arrumou o colchão onde o amigo dele dormiria, como sempre faz. Ele saiu para voltar, queria voltar”, disse a mãe, que informou ter tentado contato com o filho, por celular, mas a ligação parou na caixa postal.

Advogado diz que processará USP e responsáveis por festa
O casal ainda se disse assustado com as condições do local onde a festa que reuniu cerca de 5 mil pessoas foi realizado. “Estivemos sábado e domingo lá. Aquele Velódromo não é lugar para se fazer uma festa, parece um mausoléu”, avaliou a podóloga.     “Tem uma marquise lá que só de se subir uma escada, você a acessa – até uma criança pode subir. Não tinha uma câmera de segurança filmando – como uma empresa contrata um evento sem ter câmera funcionando?”, completou o bancário.

O advogado afirmou que acionará na justiça cível a USP, o Grêmio da Poli, que organizou a festa, e a empresa contratada para o evento. “Não se pode um rapaz desaparecer naquela multidão sem ninguém ter visto: isso é inconcebível”, justificou Gomes.

"Morte tem que ser um marco"
Para os pais, a morte do estudante “tem que ser um marco” para que se evitem outras mortes. “Festas têm q continuar acontecendo, mas em um ambiente de segurança”, definiu Santos.

“A vida do meu filho foi ceifada. Ele tinha sonhos, semana passada tinha terminado de fazer inscrição para fazer intercâmbio... O que me fortalece é que essa medida que tomaram mostrou que a morte dele não foi em vão”, desabafou a mãe, referindo-se à proibição, por parte da direção da Poli, e no dia em que o corpo do jovem foi encontrado, de festas com bebida alcoólica no campus. “Meu filho foi um instrumento (para a mudança nas regras), independente do que possa ter acontecido”, concluiu Vilma.

Fonte: Terra
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