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Defesa de homem que atacou Bolsonaro não revela contratante

Zanone de Oliveira Jr. diz ter sido procurado por pessoa de Montes Claros (MG); outros 3 advogados atuam no caso

8 set 2018
22h14
atualizado às 22h19
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O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defende Adelio Bispo de Oliveira, autor do atentado a faca contra Jair Bolsonaro, afirmou neste sábado, 8, que foi contratado por uma pessoa do município de Montes Claros (MG) que pediu sigilo sobre sua identidade. O agressor vivia na cidade do Norte de Minas.

Segundo Zanone, até o momento foram pagos apenas os deslocamentos e custos da atuação da defesa em Juiz de Fora (MG), onde Bolsonaro foi esfaqueado por Oliveira.

Zanone Manoel de Oliveira Júnior foi advogado de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em 2010
Zanone Manoel de Oliveira Júnior foi advogado de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em 2010
Foto: CARLOS RHIENCK/Hoje em Dia / Gazeta Press

Oliveira e familiares aparentemente não possuem recursos para arcar com o custo de advogados. Além de Zanone, a defesa de Oliveira é constituída por outros três advogados: Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, Marcelo Manoel da Costa e Fernando Costa Oliveira Magalhães.

Eles representam escritórios em Belo Horizonte e região metropolitana, Barbacena (MG) e Lajeado (RS). "Um processo desse não é barato", admitiu Zanone ao Estado. "Tem uma história que vão fazer uma vaquinha. Espero mesmo que façam. Mas a gente não está sendo financiado por igreja alguma", disse o advogado.

Em Montes Claros, segundo as primeiras informações, Oliveira teria frequentado a Igreja do Evangelho Quadrangular. O Estado não conseguiu contato neste sábado com algum representante da igreja.

Zanone já atuou em outros casos de repercussão nacional, como no assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Zanone defende o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, condenado pelo assassinato. Ele também fez a defesa de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, condenado como um dos mandantes da missionária americana Dorothy Stang.

Ele disse que acredita ter sido contatado para atuar na defesa de Oliveira por ser especialista em casos de homicídio e dar aulas em uma universidade Montes Claros e cursos. Ele afirmou que o contrato prevê atuação somente na fase da investigação. "Não sei se é interesse nosso continuar", afirmou. "Tem gente dizendo que fomos procurados pelo PT, por partidos políticos. Mas não tem nada disso. Agora, a gente receberia de qualquer um. Se o partido do Bolsonaro nos contratar, a gente defende. Não temos nada contra o Bolsonaro."

A defesa já decidiu que vai pedir o "incidente de insanidade" do cliente, que usa medicação controlada, de acordo com a defesa. Segundo os advogados, três peritos ofereceram serviço gratuito. "Normalmente eles cobram de R$ 20 mil a R$ 30 mil por perícia", disse Zanone.

"Ele acredita que aquilo que fez foi para proteger as pessoas, a Nação de um facínora", disse o também advogado Fernando Magalhães. "Não vendemos fantasia. Vendemos serviço jurídico. Não tem condição de absolvê-lo."

Agressor é transferido para presídio federal

Oliveira foi transferido na manhã deste sábado, 8, para um presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por determinação da juíza Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, da 2ª. Vara Federal de Juiz de Fora. Indiciado na Lei de Segurança Nacional, o agressor será julgado por um juiz de primeira instância e não por um tribunal do júri.

A análise do computador e do celular apreendidos com Oliveira são as principais pistas da Polícia Federal para investigar a motivação e a possibilidade de outros envolvidos no atentado contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Os equipamentos foram apreendidos na pensão onde o agressor ficou hospedado nas últimas duas semanas em Juiz de Fora (MG). A Justiça já quebrou o sigilo do celular e do computador de Oliveira.

A perícia ficará a cargo do Departamento de Inteligência Policial da PF (DIP), com sede em Brasília.Segundo um policial que participa da investigação em Juiz de Fora, a PF tenta apurar possíveis conexões de Oliveira, mas até agora não existem indícios de que ele não tenha agido sozinho.

Estão sendo apurados a rede de contatos do pedreiro, com quem ele se relacionou nos últimos dias, suas conversas e onde ele esteve nos últimos meses.

Anteriormente, foi levantada a hipótese de que Hugo Ricardo Bernardo e Bruno Pereira da Silva, detidos por confrontos com grupos pró Bolsonaro, teriam participado da ação. Porém, nenhum vínculo dos dois homens com Oliveira foi identificado até o momento.

Hugo e Bruno foram ouvidos como suspeitos pela PF e liberados logo em seguida. Hugo está internado no Hospital e Maternidade Terezinha de Jesus onde passará por uma cirurgia no início da próxima semana. Segundo uma funcionária do hospital, ele deslocou a clavícula em um dos confrontos.

Uma das informações que os investigadores já levantaram sobre o histórico de Oliveira é a de que, nos últimos 15 anos, ele passou por 39 empresas distintas, com salários baixos. Isso chamou a atenção diante da apreensão dos quatro celulares e do computador. / RICARDO GALHARDO, CONSTANÇA REZENDE, BRENO PIRES, EDUARDO KATTAH, LEONARDO PINTO E LEONARDO AUGUSTO, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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