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Marielle: Afastamento de delegado pode ser positivo, diz Freixo

Ao longo da investigação, Giniton Lages foi acusado de pressionar suspeitos para confessarem sua participação no assassinato da vereadora

14 mar 2019
15h22
atualizado às 15h53
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O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) disse nesta quinta, 14, durante a missa de um ano da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), que o afastamento do delegado Giniton Lages das investigações será positivo para a resolução do caso. Lages foi convidado a fazer um intercâmbio na Itália e um outro delegado deverá assumir a segunda fase da apuração, que buscará apontar o mandante do crime.

"Acho que ajuda (o afastamento de Lages) porque foram muitos erros que a polícia civil cometeu neste ano para chegar até aqui", afirmou Freixo, na Igreja da Candelária, onde foi realizada a missa. O Rio amanheceu nesta sexta tomado por homenagens. "Um ano para chegar em quem atirou é um tempo inaceitável; que bom que chegou, mas eu acho que agora, com um novo governo, temos uma nova diretriz para a polícia, é normal que tenhamos novas relações de confiança."

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ)(c), conversa com os pais de Marielle Franco, Marinete da Silva (e) e Antônio Francisco Neto (d), durante missa em homenagem à vereadora assassinada e ao motorista dela, Anderson Gomes, na Igreja da Candelária, no centro Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira, 14 de março de 2019. O crime completa um ano hoje. Marielle foi executada com quatro tiros na cabeça quando voltava para casa após participar de um evento com jovens mulheres negras no bairro do Estácio, centro de Rio. Anderson também foi alvejado e morto no atentado.
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ)(c), conversa com os pais de Marielle Franco, Marinete da Silva (e) e Antônio Francisco Neto (d), durante missa em homenagem à vereadora assassinada e ao motorista dela, Anderson Gomes, na Igreja da Candelária, no centro Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira, 14 de março de 2019. O crime completa um ano hoje. Marielle foi executada com quatro tiros na cabeça quando voltava para casa após participar de um evento com jovens mulheres negras no bairro do Estácio, centro de Rio. Anderson também foi alvejado e morto no atentado.
Foto: Fábio Motta / Estadão

Ao longo da investigação, Giniton Lages foi acusado de pressionar suspeitos para confessarem sua participação no assassinato da vereadora. Foi por conta dessa acusação, inclusive, que a procuradora-geral da república, Raquel Dodge, determinou, em novembro passado, que a Polícia Federal apurasse se havia alguma interferência de autoridades policiais na apuração do crime, instituindo o que se chamou de 'a investigação da investigação'.

"Os problemas que a investigação enfrentou não foram problemas específicos do caso Marielle; são problemas estruturais da segurança pública do Rio de Janeiro", opinou Marcelo Freixo.

"Espero que essa morte brutal sirva para que a segurança pública mude, para que nunca mais alguém elogie as milícias, para que nunca mais alguém possa se alimentar de milícias, para que determinados grupos não sejam protegidos pela segurança pública. A gente espera uma mudança profunda. Marielle não volta, mas aquilo que fez a gente perder Marielle tem que mudar o mundo", complementou.

Para o deputado, é preciso saber quem foi o mandante do crime. "Essa investigação só tem valia se conseguir descobrir quem mandou matar", afirmou. "Se revelar que grupo político é capaz de ter a violência como forma de fazer política em pleno século 21."

Em uma operação realizada na última terça-feira, 12, foram presos dois suspeitos do crime: o PM reformado Ronnie Lessa, acusado de disparar contra Marielle e Anderson Gomes, e o ex-PM Élcio Queiroz, que dirigiu o carro para o assassino. Os dois devem prestar depoimento ainda nesta quinta sobre o crime. A previsão é de que, no início da noite, eles sejam transferidos para o presídio de Bangu 1.

Estadão
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