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Brasil

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Pix entra na mira de Washington em meio à nova ofensiva tarifária contra o Brasil

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros abriu uma nova frente de tensão entre Brasília e Washington. Em análise publicada nesta sexta-feira (17), o jornal econômico francês Les Echos destaca a indignação do governo Lula diante de uma medida que tem o sistema de pagamento Pix como principal alvo da nova ofensiva comercial americana.

17 jul 2026 - 09h44
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Les Echos sustenta que a medida revela uma preocupação crescente de Washington com o avanço do Pix e seus possíveis impactos sobre a hegemonia financeira americana. A decisão do presidente americano, Donald Trump, abre um novo capítulo de sua guerra comercial, mas desta vez com o Brasil como o único alvo.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (E), e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, posam com uma faixa com os dizeres “Pix é do Brasil” durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável no Palácio do Itamaraty, em Brasília, em 10 de junho de 2026.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (E), e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, posam com uma faixa com os dizeres “Pix é do Brasil” durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável no Palácio do Itamaraty, em Brasília, em 10 de junho de 2026.
Foto: AFP - EVARISTO SA / RFI

A tarifa, que entrará em vigor em 22 de julho, é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês) sobre as políticas comerciais do Brasil, baseada em uma legislação de 1974, reitera o texto.

A Casa Branca informou que ficarão de fora da nova taxação produtos sem equivalente produzido nos Estados Unidos ou cuja sobretaxa possa afetar cadeias de abastecimento e a própria economia americana. É o caso da carne bovina, do café, do suco de laranja e de determinadas peças aeronáuticas.

O anúncio do governo americano provocou reação imediata em Brasília. Autoridades brasileiras consideraram que não há justificativa para uma ação unilateral, prometeram recorrer à Lei de Reciprocidade e anunciaram que pretendem levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Sucesso do Pix preocupa Estados Unidos

Para Les Echos, porém, a questão comercial vai além das tarifas. Em uma segunda análise publicada na mesma edição, o jornal aponta o Pix como um dos elementos centrais da disputa entre os dois países. Para o diário, não há dúvidas de que a nova ofensiva tarifária contra o Brasil revela uma preocupação sobre o futuro da supremacia financeira americana.

Criado pelo Banco Central em 2020, o sistema nacional de pagamentos instantâneos é o mais popular do país. O Pix é utilizado por cerca de 80% da população e responde por mais da metade das transações realizadas no Brasil.

O sucesso do Pix tem impacto direto sobre empresas como Visa e Mastercard, que dominam o mercado internacional de cartões. A redução do uso desses meios de pagamento implica automaticamente uma queda nas receitas obtidas por essas companhias por meio de taxas e comissões, destaca a matéria.

Desde 2020, a participação do Brasil nas transações caiu de 23% para 15%, reitera, o que os Estados Unidos estão classificando como "concorrência desleal". As acusações são rejeitadas por Brasília, que argumenta que o Pix ampliou o ecossistema de pagamentos digitais, beneficiando empresas estrangeiras, entre elas gigantes americanas do setor tecnológico, como o Google.

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