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PERFIL | Das lutas nas fábricas ao retorno ao Planalto: a trajetória de Lula

A nova vitória do 'presidente operário' após a queda política e a prisão

26 out 2026 - 09h07
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Resumo
Marcada pela resiliência, a trajetória de Lula vai da infância pobre no Nordeste à liderança sindical contra a ditadura militar e à fundação do PT. Após derrotas eleitorais, presidiu o Brasil de 2003 a 2011, período de avanço social. Anos depois, enfrentou a prisão na Operação Lava Jato, mas teve as condenações anuladas pelo STF por irregularidades processuais. Livre, superou a extrema direita nas urnas e conquistou um inédito quarto mandato presidencial, consolidando sua força política.

Um dedo perdido em uma fábrica aos 18 anos, quando uma máquina defeituosa esmagou parte de sua mão esquerda ? uma cicatriz que se tornou símbolo do vínculo inquebrável de Luiz Inácio Lula da Silva com a classe trabalhadora.

    Das lutas sindicais contra a ditadura ao histórico quarto mandato presidencial conquistado na noite passada, o petista personifica a resiliência política como poucos antes dele.

    A vida de Lula é mais do que uma simples biografia política: é uma história de triunfos e quedas devastadoras ? reveses que, por vezes, pareceram insuperáveis, como sua prisão por corrupção há quase uma década e os mais de 18 meses que passou atrás das grades.

    Sétimo de oito filhos de um casal de agricultores analfabetos, ele nasceu em 1945, em Caetés, no coração árido do Nordeste. Aos sete anos, amontoado na carroceria de um caminhão com a mãe e os irmãos, empreendeu uma jornada de 13 dias e 2.000 quilômetros para escapar da fome, chegando, por fim, à periferia operária de São Paulo. Foi durante essa viagem ? como costuma relatar ? que viu uma bicicleta pela primeira vez e prometeu a si mesmo que, um dia, teria uma.

    Entre os 8 e os 12 anos, trabalhou como vendedor ambulante, comercializando amendoim e laranjas, e como engraxate nas ruas de Guarujá e Santos. Aos 14 anos, iniciou sua vida profissional, com o primeiro registro em carteira, como auxiliar nos Armazéns Gerais Columbia, em São Paulo. Pouco tempo depois, passou por uma formação técnica como torneiro mecânico e começou a trabalhar nas fábricas metalúrgicas do polo industrial.

    Na década de 1970, no auge do regime militar, assumiu o comando do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo. Com discursos inflamados e carisma inato, liderou greves históricas que desafiaram abertamente a ditadura, o que resultou em sua prisão pelo regime, sob a acusação de subversão.

    Em 1980, ao perceber que a atuação sindical, por si só, não era suficiente, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) e iniciou uma longa ascensão política ? trajetória marcada por três derrotas consecutivas em eleições presidenciais, em 1989, 1994 e 1998. Não desistiu, contudo, e um ponto de virada ocorreu em 2002, quando adotou um tom mais moderado e se apresentou como candidato à reconciliação nacional.

    Venceu a eleição e cumpriu dois mandatos (2003-2011), que inauguraram uma nova era para o Brasil. Graças a programas sociais como o Bolsa Família, milhões de pessoas saíram da extrema pobreza, e o país vivenciou um crescimento econômico sem precedentes.

    Por outro lado, sua trajetória também chegou a um momento crítico quando, em meio à operação Lava Jato, Lula foi condenado por corrupção, em 2017. Ele passou 580 dias atrás das grades.

    Uma nova reviravolta ocorreu em 2021, quando o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações, apontando graves irregularidades e a parcialidade dos magistrados que conduziram os processos.

    Livre e com as condenações anuladas, Lula decidiu candidatar-se novamente. Ao final de uma campanha marcada por ataques virulentos e sem tréguas, conseguiu derrotar a extrema direita liderada pela família Bolsonaro, retornando ao Palácio do Planalto para seu quarto mandato.

    Hoje, aos 80 anos, sua história continua sendo a de um líder que fez da resiliência sua arma mais poderosa. O próprio Lula costuma ressaltar que é o único presidente a ter exercido o cargo sem possuir diploma de ensino superior, embora a história brasileira registre outro caso semelhante em meados da década de 1950: o de João Café Filho. .

Ansa - Brasil
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