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Partidos aliados de Flávio reconhecem a vitória de Lula; Zema fala em golpe

Siglas que declararam apoio a Flávio no segundo turno reconhecem resultado das urnas, mas ex-governador de Minas fala em eleição 'mentirosa'. Agusto Cury e Tarcísio de Freitas ainda não se pronunciaram.

26 out 2026 - 16h32
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Resumo
Lideranças e partidos aliados a Flávio Bolsonaro, como Republicanos, MDB, PSD e União Brasil, reconheceram a vitória de Lula nas urnas, defendendo a soberania popular. Em contraste, Flávio rejeitou o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição, alegando irregularidades na prorrogação do horário de votação pelo STF. No mesmo tom crítico, Romeu Zema classificou o pleito como golpe, enquanto figuras como Renan Santos e Felício Ramuth apontaram incoerências e falhas da própria campanha derrotada.
Apoiadores de Lula celebrando na avenida Paulista no domingo.
Apoiadores de Lula celebrando na avenida Paulista no domingo.
Foto: Brian Snyder/Reuters / BBC News Brasil

Dirigentes e lideranças de partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições reconheceram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito deste domingo (25/10).

Ainda na noite de domingo, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, foi às redes sociais se pronunciar pelo reconhecimento da vitória do petista. "O novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro, com respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional. É o que esperamos em favor do Brasil", escreveu ele no X.

Na mesma linha, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que concorreu à Presidência no primeiro turno e apoiou Flávio no segundo, disse aceitar o resultado das urnas.

"Uma renovação. Era esse o ponto que todos nós lutamos favoravelmente a ele. Era buscar essa virada de página. Acreditamos nessa ideia. Mas nós, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração. Essa sempre foi a nossa característica", disse, segundo o UOL, em entrevista coletiva em Goiânia ainda no domingo.

Após o resultado ter sido anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reconhecido pelo presidente da Corte, ministro Kasiso Nunes Marques, Flávio chamou a imprensa para dizer que não reconhecia a derrota e pediria anulação da eleição.

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico e vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo mais uma vez pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal", disse Flávio, que perdeu por cerca de 4,4 milhões de votos para Lula.

A declaração de Flávio faz menção à prorrogação por duas horas do horário de votação, determinada pelo ministro do STF, Cristiano Zanin, em resposta a um pedido feito pelo PT sob a alegação de que diversas cidades do Brasil haviam deixado de oferecer transporte coletivo gratuito para os eleitores.

No entanto, sua própria coligação pediu ao TSE que o horário da votação fosse prorrogado em alguns estados devido às fortes chuvas que caíram em algumas cidades e que teriam prejudicado a chegada de eleitores às seções de votação.

"Causou estranheza o próprio PL ter solicitado a prorrogação da votação, ainda que em locais específicos. Além disso, o total de votos registrados após as 17 horas em todo o País foi insignificante diante da diferença entre os candidatos", disse o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB) ao Estado de São Paulo.

"Se havia alguma dúvida quanto a essa prorrogação, o mais coerente seria tê-la questionado antes da apuração dos votos, e não somente após a confirmação do resultado", afirmou o vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Tarcísio, até o momento, não se pronunciou.

Assim como Ramuth, o perfil oficial do seu partido, o MDB, reconheceu a vitória de Lula em uma postagem no X. "É um momento em que a vontade popular se fez soberana. Desejamos que ele tenha serenidade para governar o país em favor de todos, sem exceção", dizia a publicação de domingo à noite.

Já nesta segunda-feira pela manhã, o União Brasil publicou uma nota assinada pelo dirigente nacional Antonio Rueda afirmando que "a soberania popular se manifestou de forma livre nas urnas".

"Essa é a base da democracia brasileira e o compromisso do nosso partido. Encerrado o processo eleitoral, é hora de unir o país em torno de uma agenda comum."

Na mesma direção foi o PSD, de Gilberto Kassab, que assinou uma nota reafirmando seu compromisso "com nossa democracia".

"Tenho certeza que nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o Governo Federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população", dizia a nota.

Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, assinou uma nota afirmando que os brasileiros escolheram democraticamente o próximo representante do país. O partido se manteve neutro no segundo turno.

"Esperamos que seu governo saiba buscar a união dos brasileiros, respeitando as diferenças que fazem parte da vida democrática, e avance na solução dos problemas que afetam a vida dos brasileiros", dizia uma publicação do perfil da sigla no X.

Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato pelo Missão no primeiro turno, fez um vídeo em suas redes sociais no qual atribuía a derrota de Flávio ao que chamou de "arrogância" do bolsonarismo.

"Uma vitória que não foi construída em cima de um governo bom. O governo Lula foi um governo fraco. Uma vitória que foi construída em cima da arrogância da família Bolsonaro e dos membros daquilo que a gente chama de bolsonarismo", disse.

Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, disse que o resultado de domingo "não foi o esperado" pela oposição e que "há questionamentos da oposição que precisam ser esclarecidos".

Augusto Cury não se manifesta

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que também disputou o primeiro turno, questionou o resultado.

"O Lula aplicou um golpe à la Venezuela. A mesma coisa que o seu companheiro ditador fez lá prorrogando o prazo da eleição (...) Essa foi a eleição mais alarmista e mentirosa que eu já vi no Brasil. Lamento muito, a vida do brasileiro vai continuar estagnada", disse em um vídeo publicado nas redes sociais.

O escritor Augusto Cury (Avante), que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, e manifestou apoio a Flávio no segundo, ainda não se manifestou.

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