Orleans e Bragança critica atuação de Lula na crise de Essequibo
Deputado e herdeiro da família imperial deu entrevista à ANSA
BRASÍLIA, 12 DIC - O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL), herdeiro da família imperial e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não desempenhou corretamente o papel de mediador no conflito entre Venezuela e Guiana pelo controle do Essequibo. No entanto, ele considera improvável que as tensões levem a uma guerra.
Em entrevista à ANSA, o congressista disse: "A gente é irrelevante nesse processo diplomático. O Brasil está completamente secundarizado. Lula é amigo pessoal do ditador Maduro, que tem apoio da Rússia, China, Irã e Cuba".
"O Brasil não sabe se colocar como mediador, como líder natural da região; o Brasil é o grande perdedor tanto quanto a Guiana", opinou. "A situação é grave, mas a probabilidade de uma guerra é baixa, e só é baixa porque a Guiana tomou a providência de fazer uma relação com os Estados Unidos, e fez muito bem, porque o Brasil é muito deficitário em defender os interesses de um vizinho que peça ajuda", continuou.
Segundo o parlamentar pelo estado de São Paulo, o governo de Lula tem alimentado o "antiamericanismo" em sua política externa, afetando as históricas relações com Washington, que é um ator fundamental para garantir a estabilidade e a paz na região.
"Uma vez que tem soldados americanos lá (na Guiana), isso já cria um outro engajamento que cria uma limitação forte contra uma invasão da Venezuela", analisou Orleans e Bragança, que é membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
O presidente Lula expressou sua "preocupação" com a tensão entre Venezuela e Guiana na divisa com Roraima durante a cúpula dos mandatários do Mercosul na quinta-feira passada (7) no Rio de Janeiro.
O governante progressista falou por telefone com seus colegas Maduro e Irfaan Ali, da Guiana. Na próxima quinta-feira (14), o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, viajará a São Vicente e Granadinas, onde será observador do encontro entre Maduro e Irfaan Ali.
Orleans e Bragança questionou a atuação do ex-chanceler Amorim e disse que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deveria ter mais protagonismo.
"O ministro Vieira tem sido muito apagado; quem tem se pronunciado mais, que tem aparentado que está mais no comando das relações exteriores, é Celso Amorim. O ministro Vieira não parece ter voz própria", afirmou o parlamentar de direita.
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