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ONU se diz "perturbada" com chacina no Jacarezinho

Operação policial no Rio de Janeiro terminou com 25 mortes

7 mai 2021 09h23
| atualizado às 09h30
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O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (Acnudh) afirmou nesta sexta-feira (7) que está "profundamente perturbado" com a chacina que culminou na morte de 25 pessoas, incluindo um policial, na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro.

Policiais na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro
Policiais na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Em conversa com jornalistas em Genebra, o porta-voz do Acnudh, Rupert Colville, lembrou que "o uso da força deve ser aplicado apenas quando for estritamente necessário" e que é preciso "respeitar os princípios da legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade".

"Estamos profundamente perturbados pelas mortes", acrescentou o representante do órgão de direitos humanos da ONU. O Acnudh ainda cobrou a abertura de uma "investigação independente, completa e imparcial, de acordo com padrões internacionais".

Além disso, questionou o modelo brasileiro de policiamento em favelas, "que estão presas em um ciclo vicioso de violência letal com um impacto dramático e adverso sobre populações que já sofrem".

Operações policiais em comunidades no Rio de Janeiro estão proibidas desde junho de 2020 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), devido à pandemia do novo coronavírus, a não ser em casos excepcionais.

A Polícia Civil diz que a ação mirava o aliciamento de jovens para o tráfico de drogas na favela, mas moradores do Jacarezinho e ONGs de direitos humanos denunciam a ocorrência de execuções durante a incursão.

"Ainda que todas essas pessoas fossem suspeitas de associação criminosa, o que não está provado, não é justificável esse tipo de execução sumária. Cabe à polícia o poder de prender e à justiça o dever de processar e julgar os suspeitos de cometer crimes", disse a Anistia Internacional.

Já a Polícia Civil afirmou que "não entra para executar" e que 24 dos 25 mortos eram "criminosos", mas até agora não divulgou detalhes das acusações contra os suspeitos nem suas identidades

Ansa - Brasil   
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