Que País é Este - Legião Urbana - Uma das músicas de protesto mais conhecidas do rock nacional, Que País é Este, do grupo Legião Urbana, foi composta em 1978 pelo vocalista Renato Russo, quando ele ainda fazia parte do Aborto Elétrico. Reproduzida em várias manifestações que eclodiram pelo Brasil nas últimas semanas, a letra questiona a sujeira do Congresso Nacional e ironiza a imagem do País. "Terceiro mundo, se foi/ Piada no exterior/ Mas o Brasil vai ficar rico/ Vamos faturar um milhão / Quando vendermos todas as almas / Dos nossos índios num leilão/ Que país é esse?", diz a letra
Luiz Inácio (300 picaretas) - Paralamas do Sucesso - Composta em 1995 pelo vocalista do Paralamas do Sucesso, Hebert Vianna, foi inspirada em uma frase dita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1993, na qual ele afirmava que "no Congresso há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses". A letra critica a compra de votos no Brasil, o coronelismo, e cita nomes de políticos corruptos. "Eles ficaram ofendidos com a afirmação /Que reflete na verdade o sentimento da nação / É lobby, é conchavo, é propina e jeton / Variações do mesmo tema sem sair do tom", diz um trecho. O então deputado Bonifácio de Andrada (PTB-MG) pediu, na época, a censura da música
Até Quando - Gabriel O Pensador - Dono de vasto repertório que critica o sistema, o músico Gabriel O Pensador escreveu em 2001 a letra de Até Quando. A música tenta provocar o brasileiro a tomar uma atitude, questionando "até quando você vai ficar sem fazer nada?" e incentivando o povo a se levantar e ir para as ruas em protestos e greves. "Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente / O seu filho sem escola, seu velho tá sem dente / Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante / Você tá sem emprego e a sua filha tá gestante", diz um trecho. "Até quando você vai ficar usando rédea? / Rindo da própria tragédia", critica outro
Alvorada Voraz - RPM - Lançada em 1986, a música faz um protesto político contra os militares, que estiveram no poder na época. O título da música faz uma referência à alvorada, que, no meio militar, remete ao despertar dos soldados ao som do trompete, cedo da manhã. Em 2002, o RPM atualizou alguns versos da canção. Na primeira versão, os músicos usaram fatos políticos da época, como crimes do colarinho branco. Na segunda, foram selecionados escândalos mais atuais: "O caso Sudam, Maluf, Lalau, Barbalho, Sarney / E quem paga o jornal é a propaganda, pois nesse país é o dinheiro quem manda", diz o trecho
Diário de um Detento - Racionais MC's - O grupo foi um divisor de águas nas músicas de protesto dos anos 90. Com a canção, lançada em 1998, os temas da favela passaram a ser abordados de outra forma. A letra narra os momentos que precederam o massacre do Carandiru, em 1992. "Aqui estou, mais um dia / Sob o olhar sanguinário do vigia / Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK / Metralhadora alemã ou de Israel / Estraçalha ladrão que nem papel", diz um trecho
Confisco - Charlie Brown Jr. - A banda, com perfil voltado ao público jovem, fez várias músicas de protesto sobre essa temática. Confisco, no entanto, teve um viés mais político. A canção se refere ao confisco de boa parte da renda que estava na caderneta de poupança, feito pelo governo Collor em 1990, e foi lançada em 1999. "Eu vou pra onde? Pra onde eu devo ir? / Monumentos com um cheiro que ninguém aguenta / Multidão de solitários que a cidade alimenta", diz trecho da música
Ninguém Regula a América - O Rappa e Sepultura - As duas bandas gravaram a música em 2000 e lançaram um mês antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Na canção, os músicos criticam o governo americano, destacando que os EUA vigiam o mundo todo por meio de satélites e que arriscam a população mundial promovendo guerras contra outros países. "Satélites de cima / vigiando todos os atos de rebeldia / MST observado pela CIA / um avião cara-de-pau / preso na China painel de controle / cidades sem culpa", diz trecho
Aluga-se - Raul Seixas - A música foi lançada em 1980 por Raul Seixas e logo foi censurada. A letra é uma crítica à invasão do capital estrangeiro no País, que permitiu a entrada de diversas multinacionais no mercado brasileiro. A música propõe que o Brasil seja alugado para que outros países explorem suas potencialidades. "A solução pro nosso povo / Eu vou dar / Negócio bom assim / Ninguém nunca viu / Tá tudo pronto aqui / É só vir pegar / A solução é alugar o Brasil", diz trecho da canção, que foi regravada por Titãs e Camisa de Vênus
Saquear Brasília - Capital Inicial - Lançada em 2012, a música do Capital Inicial mostra a insatisfação dos brasileiros com os parlamentares, sugerindo que Brasília, sede dos Três Poderes, seja saqueada. A banda, fundada na capital federal, afirma na canção que os políticos mentem e "não sentem nada, eles mentem na sua cara". "Nobre colega / Acha que a nação inteira / É surda e cega / Hipocrisia todo dia / Faz parte da mobília", diz trecho da letra
Brasil - Cazuza - O cantor gravou inúmeras canções que viraram hinos de protesto na geração dos anos 80. Em Brasil, ele mostra sua indignação com a situação do País, afundado em desigualdades. A canção é considerada uma declaração de amor do cantor à pátria. Lançada em 1988, traz versos como "Grande pátria / Desimportante / Em nenhum instante / Eu vou te trair / Não, não vou te trair" e "Não me ofereceram / Nem um cigarro / Fiquei na porta / Estacionando os carros."
Aos Fuzilados da CSN - Garotos Podres - A banda de rock Garotos Podres criou esta música em homenagem aos três operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ), que morreram durante uma greve com ocupação da empresa, em 1988. O governo de José Sarney autorizou a invasão do Exército e a repressão ao movimento foi violenta. Mais tarde, a banda fez a canção, que começa com o seguinte verso: "Aos que habitam / Cortiços e favelas / E mesmo que acordados / Pelas sirenes das fábricas / Não deixam de sonhar / De ter esperanças / Pois o futuro / Vos pertence"
Quem é Você? - Detonautas - A banda Detonautas lançou a canção em 2013, em meio aos protestos que tomaram conta do País. A letra faz duras críticas às igrejas evangélicas, ao culto das celebridades e ao governo. A música, composta em 2012, narra várias situações da vida do cidadão comum, que sofre com o acesso à saúde e com a desigualdade social. "Você trabalha feito um burro de carga / Puxando um sistema podre que é bancado com o seu suor / E sexta-feira vai pra igreja comungar com a sua família / A voz sagrada, Jesus Cristo é o senhor", diz trecho
Inútil - Ultraje a Rigor - Gravada em 1983 e lançada em 1985 pela banda Ultraje a Rigor, a música virou hino dos jovens que foram para as ruas durante o movimento Diretas Já. A letra é recheada de erros de concordância e critica o desinteresse do brasileiro por seus direitos e escolhas. "A gente não sabemos / Escolher presidente / A gente não sabemos / Tomar conta da gente / A gente não sabemos / Nem escovar os dente", é o verso que abre a música
Polícia - Titãs - Intérprete de várias músicas com viés de protesto político, a banda Titãs critica nesta canção lançada em 1986 as ações policiais e a forma como a sociedade vê a corporação. A letra foi composta por Tony Belloto depois de ser preso por porte de heroína e traz trechos como "Dizem que ela existe / Pra ajudar / Dizem que ela existe / Pra proteger / Eu sei que ela pode / Te parar / Eu sei que ela pode / Te prender"
Veraneio Vascaína - Aborto Elétrico - A música foi composta por Renato Russo e Flávio Lemos quando ambos eram da Aborto Elétrico e foi regravada pela Capital Inicial. O título refere-se à Chevrolet Veraneio, a viatura mais comum da polícia nas décadas de 70 e 80. O "vascaína" tem sua origem nas cores da PM - preto, branca, cinza e vermelha -, as mesmas do brasão do Vasco. A letra critica a polícia e seus abusos de autoridade. "Se eles vêm com fogo em cima, é melhor sair da frente / Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente", diz um trecho