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Não existe racismo no Brasil, diz Mourão após homem negro ser espancado até a morte em Porto Alegre

20 nov 2020
15h30
atualizado às 15h42
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O vice-presidente Hamilton Mourão classificou como lamentável a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado até a morte em um supermercado Carrefour, em Porto Alegre, mas afirmou que seria um caso de "segurança totalmente despreparada", e não de racismo.

Vice-presidente Hamilton Mourão durante cerimônia em Brasília
16/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
Vice-presidente Hamilton Mourão durante cerimônia em Brasília 16/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Para mim no Brasil não existe racismo, isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil. Isso não existe aqui", disse Mourão ao ser perguntado se o caso de Freitas demonstraria um problema de racismo no país.

Diante da insistência dos jornalistas, o vice-presidente voltou a dizer que dizia "com toda a tranquilidade" que não existe racismo no Brasil.

"Eu digo para vocês o seguinte, porque eu morei nos Estados Unidos. Racismo tem lá. Eu morei dois anos nos Estados Unidos, na minha escola que eu morei lá, o pessoal de cor ele andava separado, que eu nunca tinha visto isso aqui no Brasil. Saí do Brasil, fui morar lá, era adolescente e fiquei impressionado com isso aí. Isso no final da década de 1960", afirmou.

Mourão admitiu que a alta desigualdade social existente no país afeta mais os negros, mas não relacionou a falta de acesso a bens e serviços ao racismo, apenas à pobreza. Questionado sobre a violência policial atingir mais negros, Mourão afirmou que o caso de Porto Alegre não é de violência policial, mas de segurança.

"O que acontece: naturalmente aquela pessoa que está em desvantagem social, ou que vive em uma área que é mais difícil, vamos colocar, uma área de favela, onde está exposto a questão do crime organizado, de tráfico, essa coisa toda, então, grande parte das pessoas que lá vivem, infelizmente, são pessoas de cor. Isso é uma realidade", afirmou.

Freitas foi morto na noite de quinta-feira em frente a um supermercado Carrefour por um segurança da loja e um policial militar provisório que estava no local. O segurança foi chamado por uma caixa depois de uma discussão. Freitas foi morto por espancamento depois de ter sido imobilizado pelos dois homens.

Ambos foram presos em flagrante e indiciados por homicídio triplamente qualificado.

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