Lágrimas e buzinas agitam o entorno de carceragem onde Lula está preso em Curitiba
Aos poucos, mais manifestantes chegam ao local, onde ex-presidente está preso há 19 meses.
*Atualizada às 23h06 de 07/11/19
No acampamento montado por manifestantes na frente da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso há 19 meses, o clima é de festa e choro após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que abriu caminho para a libertação do petista.
A corte decidiu no começo da noite desta quinta-feira (07/11) proibir por 6 votos a 5 o início do cumprimento da pena antes de esgotados todos os recursos dos réus, o chamado trânsito em julgado. A decisão poderá levar à soltura de até 4.895 presos, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre eles o petista.
A defesa do ex-presidente anunciou que irá se encontrar com o petista antes de enviar à Justiça o pedido para sua soltura.
"Após conversa com Lula nesta sexta-feira levaremos ao juízo da execução um pedido para que haja sua imediata soltura com base no resultado desse julgamento do STF", afirmaram em nota os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins.
Após a decisão do STF, carros passaram buzinando em frente à Superintendência da PF em Curitiba. Dentro do acampamento montado na frente do prédio, dezenas de pessoas cantavam palavras de ordem pela libertação de Lula e contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Aos poucos, chegam mais pessoas no local. Com bandeiras do PT e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), elas dizem que vão passar a noite no local e esperam que o ex-presidente vá ao local logo após ser solto, antes de embarcar para São Paulo.
Apesar da euforia, militantes estão passando à frente a orientação de que os manifestantes voltem para casa para descansar e voltem às 8h30 de sexta-feira.
O administrador Inácio Sadovski, de 29 anos, conta que está no acampamento montado por militantes petistas na frente da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o início. Com a decisão que pode soltar o ex-presidente, ele diz que só sairá do local depois que Lula visitar o acampamento.
"Cheguei aqui no terceiro dos 579 dias do acampamento e não é agora que vou desistir. Estou com um sentimento de muita alegria, satisfação e de que finalmente vão corrigir um grave erro", afirmou à BBC News Brasil.
Sadovski disse que o acampamento foi importante para demonstrar que em nenhum momento Lula esteve sozinho e ajudou o ex-presidente durante o período preso.
"Ele disse que ouve todos os dias quando damos bom dia, boa tarde e boa noite. Eu tenho certeza que isso transmite muita energia para que ele consiga encarar essa situação insuportavel", disse.
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