Jornal francês destaca trajetória da USP: do combate à imagem elitista às dificuldades de internacionalização
O jornal Les Echos desta quarta-feira (6) traz uma reportagem do correspondente em São Paulo, Thierry Ogier, sobre a USP, "grande universidade do Brasil que se tornou uma fábrica de presidentes", diz o diário em título.
O jornal Les Echos desta quarta-feira (6) traz uma reportagem do correspondente em São Paulo, Thierry Ogier, sobre a USP, "grande universidade do Brasil que se tornou uma fábrica de presidentes", diz o diário em título.
O texto lembra que essa célebre instituição pública quase centenária é "considerada de longe a melhor universidade brasileira", e forma as elites do país há várias gerações. Mais de dez presidentes do Brasil se graduaram no local, diz Les Echos, bem como grandes banqueiros e economistas. Entre eles, o atual ministro da Fazenda Fernando Haddad, também doutor em Filosofia pela USP, lembra.
A reportagem também destaca que para tentar combater a imagem de elitista, a universidade introduziu progressivamente nos últimos 20 anos um sistema de cotas. "A metade das vagas é reservada a estudantes originários do ensino público, a maioria deles vindos de meios desfavorecidos", diz. Segundo dados da USP, no ano passado, mais de 28% dos alunos eram afrobrasileiros ou indígenas.
Na reportagem, Les Echos também aborda os laços entre a Universidade de São Paulo e a França, ressaltando que uma missão francesa contribuiu à fundação da instituição nos anos 1930. O texto diz que na obra "Tristes Trópicos", o antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss conta como foi convidado a participar do projeto.
No entanto, a internacionalização da USP é um ponto de controvérsia, afirma o jornal. A universidade, que chegou a integrar a lista das 100 melhores do mundo em 2023, caiu 23 posições com notas fracas neste quesito. Faltam professores e estudantes estrangeiros, além de o inglês ser uma língua pouco praticada, afirma ao Les Echos o pesquisador Alberto Pfeifer.