Flávio Bolsonaro viajou dos EUA ao Brasil em 2025 em avião de Vorcaro, diz revista
Ex-banqueiro é figura central no caso que envolve a maior fraude financeira da história
Em janeiro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro viajou dos EUA a Brasília em um jato que pertencia parcialmente à empresa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado a fraudes financeiras. A aeronave também tinha como cotista o advogado Willer Tomaz, que viajou com Flávio e sua família. Segundo a revista Piauí, o voo ocorreu durante negociações com Vorcaro para financiar uma cinebiografia de Jair Bolsonaro por US$ 24 milhões, transação que está sob investigação da Polícia Federal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência em 2026, viajou em janeiro de 2025, da Flórida para Brasília, em uma aeronave do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central no caso que envolve a maior fraude financeira da história do Brasil.
A informação foi revelada na quarta-feira (23) pela revista Piauí, que apurou que a empresa Prime You, que tinha Vorcaro com um de seus sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição foi realizada no fim de 2024.
Flávio viajou com a mulher, a cirurgiã-dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas e o advogado e empresário Willer Tomaz, que é alvo de uma investigação no esquema de desvios bilionários do INSS.
Segundo a Piauí, Tomaz confirmou possuir um terço das cotas da aeronave por meio de uma empresa de sua propriedade. A Prime You detinha outra das três cotas e também era responsável pela operação do jato, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços.
Ainda de acordo com a publicação, citando a própria empresa, a Prime You teve Vorcaro como sócio de 2021 até setembro de 2025.
A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, deixou o aeroporto de Fort Lauderdale-Hollywood, nos Estados Unidos, em 19 de janeiro de 2025 e pousou em Brasília.
Registros de tráfego aéreo e documentos consultados pela revista coincidem com as informações de uma investigação da Polícia Federal (PF), divulgadas anteriormente pelo jornal "O Globo", sobre a viagem de Flávio e Tomaz.
A terceira participação no avião pertencia a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A cota que passou à Prime You havia pertencido ao empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, e foi vendida à empresa no fim de 2024.
De acordo com um relatório da PF, cada participação de 33,33% era avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
Documentos citados pela Piauí apontam movimentações financeiras entre a empresa proprietária do avião, o Banco Master e a Prime Aviation.
Entretanto, em nota enviada à revista, Tomaz afirmou que só descobriu em abril de 2026 que Vorcaro havia adquirido participação na aeronave. Além disso, afirmou ter encerrado seu contrato com a Prime You e estar em litígio com a empresa.
Tomaz também explicou que oferecia caronas a amigos quando havia assentos disponíveis e negou conhecer Vorcaro ou ter realizado qualquer relação comercial com ele.
O jato executivo de alto padrão usado por Flávio é o mesmo que transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano, conforme revelou o jornal "O Globo".
A viagem de Flávio ocorreu enquanto ele e Vorcaro negociavam o financiamento de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O acordo previa US$ 24 milhões em investimentos.
Segundo mensagens obtidas pela Piauí, o senador do PL cobrou o andamento do primeiro aporte, que acabou sendo realizado em fevereiro de 2025.
A Polícia Federal investiga o caminho dos recursos destinados ao filme. Em colaboração premiada, Antonio Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", confirmou pagamentos de US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate, ligado ao financiamento da produção, além de relatar entregas de dinheiro em espécie a pedido de Vorcaro.
A defesa de Vorcaro e a assessoria de Flávio Bolsonaro não responderam aos questionamentos da Piauí. Posteriormente, em publicação na rede social X, o filho de Jair ironizou a notícia: "Ainda bem que na época o avião era de Willer.
Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes". .
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