Flávio Bolsonaro foi para os EUA, dizem aliado do senador e fonte do governo norte-americano à Reuters
O senador Flávio Bolsonaro viajou aos EUA após descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes em um inquérito sobre lavagem de dinheiro. A viagem ocorreu após sua derrota nas eleições presidenciais para Lula, resultado que ele não reconheceu oficialmente. Sem registros de saída em postos migratórios regulares e com suspeitas de passagem pela Argentina, sua ida aos EUA repete os passos de seu pai, Jair Bolsonaro, após a derrota no pleito de 2022.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi para os Estados Unidos, confirmaram à Reuters nesta terça-feira um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo dos EUA, após Flávio descumprir o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
A Reuters não confirmou com quem o senador viajou aos EUA, mas apurou com uma terceira fonte que as duas filhas do parlamentar não foram para as escolas que cada uma delas estuda em Brasília nesta terça.
Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não respondeu de imediato a pedido de comentário.
Na véspera, em vídeo publicado em suas redes sociais após ser intimado para entregar seu passaporte em 24 horas, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial.
Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos os acusados negam qualquer irregularidade.
A decisão do ministro do STF foi tomada após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer em uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e que iria liderar a oposição brasileira.
O paradeiro de Flávio era desconhecido, após um veículo de imprensa argentino afirmar que ele teria entrado no país e viajaria de lá para os Estados Unidos. O governo argentino disse não ter registro da entrada de Flávio.
PASSOS DO PAI?
O mistério em torno do paradeiro de Flávio levantou preocupações de que ele possa seguir os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos depois de se recusar a reconhecer a derrota para Lula na eleição presidencial de 2022.
Jair Bolsonaro acabou retornando ao Brasil, mas posteriormente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Flávio ainda não reconheceu oficialmente a derrota no domingo. No dia da votação, afirmou que buscaria a anulação do resultado alegando irregularidades após a prorrogação do prazo de votação. Posteriormente, disse que pediria a cassação da chapa de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, seu partido, o PL, declarou na segunda-feira que reconhecia a vitória de Lula.
Após notícias na imprensa argentina sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na fronteira entre Argentina e Brasil, as autoridades argentinas inspecionaram a aeronave e sua tripulação. Segundo o comunicado, não encontraram nenhum plano de voo que listasse a família de Flávio Bolsonaro.
Um porta-voz do presidente argentino Javier Milei, aliado da família Bolsonaro e que ainda não parabenizou Lula pela vitória, afirmou que "não há pedido de asilo", recusando-se a fornecer mais detalhes.
Enquanto isso, uma autoridade da Polícia Federal afirmou que Bolsonaro não deixou o país por nenhum posto regular de controle migratório.
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