Executivo do Banco Genial é alvo de nova fase da operação Carbono Oculto, diz fonte
Uma nova fase da operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal e pelo MP-SP, mira Humberto Tupinambá, executivo do Banco Genial, com buscas em sete estados. A ação apura lavagem de dinheiro ligada ao PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Segundo a investigação, estruturas financeiras complexas, envolvendo bancos e fundos, foram criadas para ocultar os reais beneficiários na aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana e de uma usina de cana-de-açúcar em São Paulo.
Um executivo do Banco Genial está entre os alvos de uma nova fase da operação Carbono Oculto deflagrada nesta quinta-feira pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo para apurar o suposto uso de um esquema de lavagem de dinheiro na compra de uma grande distribuidora de combustíveis, disse à Reuters uma fonte com conhecimento das investigações.
Segundo esta fonte, Humberto Tupinambá, executivo do Genial, está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos em 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas em sete Estados. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa o Genial não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. Segundo informações de veículos de comunicação, a distribuidora de combustíveis Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, é a empresa que teria sido adquirida através do esquema.
Em comunicados, sem citar os nomes dos alvos da operação, a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo apontaram que o grupo teria usado um esquema de sobreposição de estruturas financeiras para ocultar a compra de uma usina de cana-de-açúcar no interior de São Paulo.
"Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados", disse o MP em nota.
Ainda de acordo com promotoria paulista, as apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP de São Paulo, e da Receita Federal apontaram que a estrutura adotada na ocultação da propriedade da usina foi usada para a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.
"As análises econômico-financeiras apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos", disse o MP.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederá na manhã desta quinta uma entrevista coletiva para detalhar a operação.
Deflagrada pela primeira vez em agosto de 2025, a Carbono Oculto investiga a infiltração do crime organizado, em particular da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), no setor de combustíveis e no mercado financeiro para lavar dinheiro do crime organizado.
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