EUA confirmam tarifaço de 25% contra Brasil por PIX; Lula culpa Bolsonaro
Medida chega com lista de quase 900 mercadorias isentas
O governo dos Estados Unidos confirmou na noite desta quarta-feira (15) um tarifaço de 25% contra produtos do Brasil, após acusar o país de impor barreiras comerciais em uma série de atividades, inclusive por meio do sistema de pagamentos PIX.
A decisão da Casa Branca, no entanto, chega com uma extensa lista de 864 mercadorias isentas da nova taxa, incluindo carne bovina, suco de laranja, café, peças para aviões, petróleo e celulose, que estão entre os principais itens da pauta de exportação brasileira para os EUA. A nova alíquota entrará em vigor em 22 de julho.
"Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR [Representante Comercial dos Estados Unidos] imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, no X.
"Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço disso", atacou.
O PIX, meio de pagamento gratuito disseminado por todo o Brasil, é uma das justificativas para o tarifaço. Segundo o USTR, o sistema bancário brasileiro favorece esse método em detrimento de empresas americanas que dominam o setor.
O governo dos EUA também questiona o desmatamento ilegal, a falta de reciprocidade no acesso ao mercado de etanol no Brasil, falhas no combate à pirataria e decisões judiciais contra plataformas digitais americanas.
Lula culpa Bolsonaro - Em comunicado divulgado pelos perfis oficiais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto definiu o tarifaço como um "marco lastimável" na história das relações bilaterais.
"O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil", diz a nota.
O texto destaca que, em 2025, 76% das importações americanas entraram no país sem pagar imposto alfandegário e que a alíquota média aplicada sobre produtos dos EUA foi de apenas 3,1%. Além disso, o governo garante que nunca deixou de negociar "para defender os interesses nacionais" e afirma que vai iniciar "os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade".
O comunicado ainda ressalta que o tarifaço faz parte do "enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro", que articulou junto ao governo Trump para tentar impedir que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse condenado por golpe de Estado.
"São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la", conclui a nota.
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