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Energia, lixo no mar, agricultura: no ChangeNOW em Paris, soluções sustentáveis visam Brasil

Em um dos monumentos mais grandiosos de Paris, o Grand Palais, empresas, startups e institutos de todo o mundo apresentam novas soluções concretas contra a crise climática e a destruição dos ecossistemas. O ChangeNOW se consolida como um dos principais hubs de aceleração de ações para promover a sustentabilidade no planeta.

3 abr 2026 - 16h39
(atualizado em 3/4/2026 às 04h39)
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Lúcia Müzell, da RFI em Paris

Nona edição do ChangeNOW aconteceu esta semana em Paris. (31/03/2026)
Nona edição do ChangeNOW aconteceu esta semana em Paris. (31/03/2026)
Foto: © Lúcia Müzell / RFI / RFI

A nona edição do evento se encerrou nesta quarta-feira (1º), com 40 mil participantes e mais de mil iniciativas. Entre elas, várias contemplam o Brasil.

A Enverge AI, por exemplo, capta energia renovável desperdiçada nos geradores e a canaliza para o uso na inteligência artificial. Apesar de ser fundamental para o desenvolvimento tecnológico, o setor representa um desafio colossal em termos de consumo energético.

A Enverge utiliza microdata centers instalados dentro de geradores de energia renovável. "A demanda de energia já disparou e já está sendo um problema, uma limitação no crescimento em alguns casos, principalmente no lado do desenvolvimento, que é o que está demandando mais energia. E do outro lado a gente também tem um problema, o de curtailement: o excesso de energia que não é vendido, e normalmente é energia verde", explica o CEO Breno Araújo. "A gente já usa essa energia excedente para gerar energia para os servidores." 

O Brasil é um dos países com maior ocorrência desses cortes de energia - ao ponto de diversos projetos de desenvolvimento das renováveis terem de ser adiados ou paralisados, na contramão do que acontece nos países desenvolvidos.

"O problema é a distribuição. Onde você gera a energia, não é necessariamente onde estão os moradores, as casas. E quanto maior o país, mais difícil fica essa distribuição: você tem perda de energia na transmissão, e a rede elétrica não é unificada 100%", complementa.

'Pescar' lixo

Um dos objetivos do ChangeNOW é colocar startups como essas em contato com parceiros ou investidores - o evento é ponto de encontro de 10 mil empresas francesas e internacionais.

A italiana Ogyre une gestão de lixo nos oceanos à tecnologia, atuando com a colaboração de pescadores locais em países como o Brasil, onde está presente no Rio de Janeiro. Durante as atividades habituais para pescar peixe, eles captam também plásticos que encontram pelo caminho. "É muito importante porque é uma renda adicional para ele. Eles não encontram peixe o tempo todo, mas infelizmente o lixo eles sempre vão encontrar", afirma Gaia Minopoli, chefe de operações da startup.

Em terra firme, os pescadores pesam e fotografam todo o lixo que recolheram. "Uma responsável do projeto coloca as fotos na plataforma digital, uma etapa importante para a gente monitorar todo o processo e para que as empresas que financiam um projeto também possam ver", ressalta. "Depois a gente tenta reciclar o  máximo possível desse lixo, e o que não der, a gente encaminha para a melhor gestão."

Alternativa a agrotóxicos

Já a francesa Incères tem como alvo a redução dos agrotóxicos pela agricultura. Num contexto em que a exposição das populações e do meio ambiente às contaminações leva a Europa a limitar cada vez mais compostos químicos autorizados, a empresa oferece alternativas naturais, a base de óleos essenciais.

A marca propõe dois produtos capazes de substituir agrotóxicos amplamente utilizados contra insetos, com eficácia e preços semelhantes aos produtos sintéticos, garante Inès Taurou, fundadora do projeto.

"É possível. Uma grande maioria dos agricultores não acredita nisso e acha que não dá para cultivar sem produtos químicos, mas estamos aqui para mostrar que sim, dá", diz. "Tenho a esperança de que quando chegarmos em 2050, isso nem vai ser mais um assunto, que os futuros agricultores nem se questionarão mais sobre ter ou não alternativa. Eles já saberão que tem." 

Após realizar um estudo de mercado, a Incères decidiu se expandir para o Brasil - apesar de a sensibilidade dos consumidores aos riscos dos pesticidas ainda ser menor do que na Europa, complementa Judie Henry, diretora de pesquisa e desenvolvimento.

"Em termos de posicionamento técnico, nós chegamos ao Brasil como complementares à química. Hoje, o verdadeiro problema na agricultura brasileira é a emergência de pragas resistentes", observa. "As mesmas substâncias são usadas em abundância há anos e anos. Além disso, as safras se repetem bem mais do que aqui, o que cria pressões bem mais fortes e o aparecimento de pragas resistentes a esses produtos químicos. Nós queremos surgir como uma combinação para frear o aparecimento dessas resistências", propõe.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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