Douglas Ruas é eleito governador do Rio em 1º turno após TRE retotalizar votos
Disputa no estado sofreu reviravolta com anulação dos votos do ex-governador Anthony Garotinho, que terminou a disputa do primeiro turno em terceiro lugar.
O TRE-RJ confirmou a eleição de Douglas Ruas (PL) como governador do Rio em primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos. A vitória foi definida após a retotalização de votos provocada pela anulação dos 274.411 sufrágios de Anthony Garotinho (Republicanos), considerado inelegível pelo TSE. A mudança descartou o segundo turno contra Eduardo Paes (PSD), que obteve 44,16% e teve recurso negado pelo STF. A proclamação do resultado oficial ocorrerá em 15 de outubro.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmou neste sábado (10/10) que o candidato do PL ao governo do estado, Douglas Ruas, foi eleito em primeiro turno com 50,88% dos votos válidos após retotalizar os percentuais obtidos pelos candidatos com a exclusão dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos).
Ruas terminou a contagem do domingo passado com 49,27% dos votos válidos, seguido pelo ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), com 42,76%.
A disputa, que nesse cenário se encaminhava para o segundo turno, sofreu uma reviravolta depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a anulação dos votos do terceiro colocado, o ex-governador Anthony Garotinho, na quinta-feira (8/10).
Garotinho havia sido considerado inelegível e tido os direitos políticos suspensos por 8 anos pelo TRE-RJ em setembro por uma condenação por improbidade administrativa, dano ao erário e enriquecimento ilícito de terceiros na época em que foi secretário de governo na gestão de sua mulher, a ex-governadora Rosinha Garotinho, entre 2005 e 2006.
Ele resolveu manter o registro de sua candidatura e entrar com recurso para tentar reverter a decisão da Justiça Eleitoral — por isso, seu nome estava nas urnas.
Um dia depois do primeiro turno, contudo, a defesa de Garotinho pediu desistência do recurso e abriu caminho para a eleição de Ruas.
O ex-governador recebeu 274.411 votos, ou 3,17%. Como eles passaram a ser considerados nulos, o cálculo de percentual dos votos válidos conquistado pelos demais candidatos mudou.
Ruas conseguiu chegar a 50,88%, o suficiente para se eleger em primeiro turno, e Paes ficou com 44,16%. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de mais de 50% dos votos válidos, conta que exclui os votos brancos e nulos.
Paes chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do TSE que anulou os votos de Garotinho, mas o recurso foi negado na quinta-feira. No mesmo dia, o ex-prefeito do Rio reconheceu a derrota e disse que respeitaria as decisões da Justiça.
No procedimento de retotalização, o desembargador do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, explicou que o resultado definitivo será proclamado no próximo dia 15 de outubro, às 15h, após transcorrerem os prazos para que o relatório com os dados deste sábado fique à disposição de partidos, federações e coligações, para que sejam apresentadas possíveis reclamações e para que a comissão apuradora eventualmente se manifeste sobre elas.
Apesar do trâmite, Tavares ressaltou que o resultado divulgado hoje indica de fato que Ruas que foi eleito em primeiro turno: "É certo que o procedimento formal exige a decisão plenária, mas não é menos certo que, ao final da retotalização realizada daqui a pouco, todos nós saberemos com certeza se o número de votos alcançados por algum candidato foi superior aos 50% exigidos constitucionalmente."
Douglas Ruas participou neste sábado de uma moto-carreata com o correligionário Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno das eleições presidenciais com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Eles visitaram São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, cidade presidida pelo pai de Ruas, Capitão Nelson (PL), que cumpre o segundo mandato consecutivo como prefeito.
Além de Ruas, o PL também conseguiu eleger seus candidatos para as duas vagas disponíveis no Senado pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy e de Carlos Portinho.
Quem é Douglas Ruas
Aos 37 anos, Ruas está no seu primeiro mandato de deputado estadual do Rio.
Foi eleito em abril presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), após o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil) ser afastado e preso por suspeita de ligação com facções criminosas.
Ruas recebeu o apoio de Flávio Bolsonaro para tentar retomar o comando do Palácio da Guanabara depois da renúncia de Cláudio Castro (PL).
Castro deixou o poder na véspera de um julgamento no TSE que analisava ações para torná-lo inelegível por oito anos por suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Antes de chegar à Alerj, Ruas foi secretário municipal no governo de seu pai, o capitão Nelson Ruas, em São Gonçalo. Depois, atuou como secretário de Cidades no governo de Cláudio Castro.
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