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Política

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Valdemar Costa Neto reconhece que houve plano de golpe no fim do governo Bolsonaro: 'Discutiram. E daí?'

Em entrevista à Rádio Gaúcha, presidente do PL se irritou ao ser questionado sobre nova articulação golpista em eventual governo Flávio

7 out 2026 - 22h26
(atualizado às 22h26)
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Valdemar da Costa Neto admite que houve discussão por golpe no fim do governo Bolsonaro: ‘Mas não deram’:

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira, 7, que houve discussões sobre um golpe de Estado no fim do governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2022, mas minimizou a articulação. Em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre (RS), o dirigente também elevou o tom de voz ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova tentativa em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).

"Discutiram de dar o golpe. Tudo bem, discutiram. E daí? Discutiram, mas não deram golpe", afirmou Valdemar, ao comentar as conversas envolvendo integrantes das Forças Armadas após a derrota de Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.

Questionado se reconhecia que houve planejamento de um golpe, o presidente do PL respondeu: "Não tenha dúvida". Em seguida, procurou justificar a posição. "Quanto planejamento você não faz que você vê depois que está errado e você para no meio da ação?", perguntou.

Valdemar foi questionado sobre quem poderia garantir que uma articulação semelhante não ocorreria novamente durante um eventual governo de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula em 25 de outubro. "Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento", respondeu.

O dirigente argumentou que as consequências da tentativa de golpe desestimulariam novas articulações. "Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais."

O assunto voltou à entrevista minutos depois, quando os apresentadores Kelly Matos, Paulo Germano (PG) e Gabriel Sant'Ana Wainer disseram que a resposta havia provocado preocupação entre os ouvintes. Ainda com o tom de voz alterado, Valdemar afirmou que uma eventual iniciativa de um general não teria apoio e voltou a negar que Jair Bolsonaro tivesse participado de uma tentativa de golpe.

"Pode ter um general querendo fazer, vai ficar sozinho querendo fazer, porque ninguém vai fazer. O presidente não, o presidente não", declarou.

Apesar de reconhecer as discussões entre militares, Valdemar insistiu que não houve golpe e contestou as condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Jamais poderiam ter condenado esse pessoal que condenaram, porque não houve golpe. Golpe não se faz com pedaço de pau, se faz com metralhadora, com canhão", disse.

Valdemar Costa Neto preside o partido de Flávio Bolsonaro.
Valdemar Costa Neto preside o partido de Flávio Bolsonaro.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Em outro momento, perguntado se o resultado das urnas seria respeitado caso Lula vencesse o segundo turno, Costa Neto respondeu afirmativamente. "Lógico, sempre foi. Eu sempre respeitei as urnas", declarou. Segundo ele, embora existam integrantes da direita que questionem o sistema eleitoral, nunca teve dúvidas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.

Em 22 de novembro de 2022, porém, falas sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro e do funcionamento dos equipamentos foram ecoadas pelo presidente do PL. Dois anos depois, em depoimento à Polícia Federal, disse que foi "obrigado" por Jair Bolsonaro a questionar o resultado.

Finalmente, Costa Neto afirmou que Flávio Bolsonaro, caso eleito, tomaria medidas para libertar o pai e outros condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 já no primeiro dia de governo. Valdemar negou, contudo, que esse seja o principal objetivo da candidatura do senador.

Condenação de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista. A Primeira Turma da Corte concluiu, em setembro de 2025, que ele liderou uma organização criminosa envolvida em uma tentativa de impedir a posse de Lula após as eleições de 2022.

Bolsonaro e outros integrantes do núcleo central da trama foram condenados por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A condenação do ex-presidente tornou-se definitiva em novembro de 2025.

Fonte: Portal Terra
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