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Derrotado nas urnas, Flávio se declara 'verdadeiro presidente do Brasil'

Em carta, senador apontou 'fraude eleitoral' e negou ter fugido do país

28 out 2026 - 18h21
(atualizado às 18h45)
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Resumo
Derrotado na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro viajou para Miami com visto humanitário e divulgou carta declarando-se o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Sem apresentar provas, ele acusou o pleito de fraude, atacou ministros do STF e afirmou que liderará a oposição a Lula a partir do exterior para evitar censura e perseguição. Flávio negou ter fugido, enquanto a Polícia Federal esclareceu que restrições de viagem anteriores não autorizavam sua prisão preventiva.

Em carta divulgada nesta quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, declarou-se o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e acusou, sem apresentar provas, o processo eleitoral de ter sido fraudado.

Em carta, senador apontou 'fraude eleitoral' e negou ter fugido do país
Em carta, senador apontou 'fraude eleitoral' e negou ter fugido do país
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Após deixar o país e desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, o parlamentar afirmou que pretende liderar a oposição ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do exterior.

No documento, Flávio também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, e comparou sua situação à de figuras históricas e lideranças políticas que atuaram fora de seus países em meio a perseguições, crises institucionais ou disputas pelo poder, como o jurista brasileiro Rui Barbosa, o general francês Charles de Gaulle e o escritor cubano José Martí.

"Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime", afirmou.

Em outro trecho da carta, o senador disse ter acompanhado "estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar" e responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo aumento de mais de 10 milhões de votos obtidos por Lula entre o primeiro e o segundo turno.

O magistrado, ex-advogado do petista, prorrogou o pleito por mais duas horas em razão dos problemas de transporte e climáticos registrados em diversas cidades do país, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou apenas 34 mil votos após as 17h do último domingo. Vale recordar que as duas campanhas pediram a prorrogação dos votos.

"Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível", declarou Flávio.

Em mais um ataque direcionado ao STF, Flávio acusou o ministro Alexandre de Moraes de ter colocado em prática um "plano previamente elaborado" e negou ter fugido do Brasil.

Em outro trecho, Flávio negou ter fugido do Brasil e justificou sua saída como uma decisão necessária para continuar atuando politicamente. O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro reiterou que pretende comandar a oposição do exterior, onde, segundo ele, poderá "assumir os riscos" que seus aliados no Brasil "não podem correr".

"Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal", afirmou.

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, usou as redes sociais para comunicar a realização de uma coletiva de imprensa na próxima quinta-feira (29), em Miami, para tratar sobre a saída de Flávio do Brasil. A expectativa é que o político também participe do evento.

Paralelamente, Um documento da agência alfandegária e de proteção dos Estados Unidos apontou que o senador entrou no país com um registro humanitário que a autoriza a permanência do candidato derrotado e de seus familiares em solo americano durante um ano.

O nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece no documento com chegada em outubro de 2026 e permanência autorizada até outubro de 2027, além disso, a entrada do parlamentar foi classificada como "DT", ou seja, uma autorização humanitária para entrar nos EUA.

Acompanhando da mulher e das filhas, Flávio desembarcou hoje (28) em Miami, na Flórida, por volta das 10h23 (de Brasília). O senador e seus familiares viajaram em uma aeronave que saiu da Argentina na última terça (27) e fez uma escala no Equador.

Após a fuga do adversário de Lula nas urnas da eleição de 2026, a Polícia Federal informou que a decisão do ministro Moraes sobre os passaportes de Flávio e a proibição de deixar o Brasil não autorizava a prisão ou outras medidas cautelares contra o parlamentar.

"A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares", informou a PF. .

Ansa - Brasil
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