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Vilarejo de Goiás concentra casos de rara doença de pele

7 mai 2014 - 21h35
(atualizado às 21h42)
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"Eu sempre estive exposto ao sol - trabalhando, plantando e colhendo arroz, e cuidado do gado", conta Djalma Antônio Jardim, 38 anos (foto)
"Eu sempre estive exposto ao sol - trabalhando, plantando e colhendo arroz, e cuidado do gado", conta Djalma Antônio Jardim, 38 anos (foto)
Foto: Eraldo Peres / AP

O pequeno vilarejo de Araras, no interior de Goiás, concentra o que é considerado como um dos maiores grupos de pessoas que sofrem de uma rara doença hereditária.

Nesse lugar, onde o trabalho é predominantemente feito no campo e ao ar livre, mais de 20 pessoas sofrem da xeroderma pigmentoso - ou simplesmente XP -, uma síndrome que torna as pessoas extremamente sensíveis aos raios ultravioleta ao prejudicar ou mesmo inibir a capacidade regenerativa da pele maltratada pela exposição solar, tornando os pacientes propensos a casos de câncer.

"Eu sempre estive exposto ao sol - trabalhando, plantando e colhendo arroz, e cuidado do gado", conta Djalma Antônio Jardim, 38 anos. "Com o passar dos anos, minha condição foi ficando pior", relata ele, que hoje, impedido de seguir trabalhando com a agropecuária, sobrevive com uma pensão do governo e dos pequenos lucros de uma venda de sorvete.

"Com o passar dos anos, minha condição foi ficando pior", relata ele, que hoje, impedido de seguir trabalhando com a agropecuária, sobrevive com uma pensão do governo e dos pequenos lucros de uma venda de sorvete
"Com o passar dos anos, minha condição foi ficando pior", relata ele, que hoje, impedido de seguir trabalhando com a agropecuária, sobrevive com uma pensão do governo e dos pequenos lucros de uma venda de sorvete
Foto: Eraldo Peres / AP

Djalma começou a mostrar sinais da doença já aos nove anos de idade. Médicos e pesquisadores defendem que crianças com sinais da doença sejam protegidos do sol, mas tal medida não foi tomada com este morador de Araras, que hoje usa um chapéu largo para se proteger dos raios de luz e uma máscara para ocultar os danos já provocados e não revertidos ao longo das mais de 50 cirurgias que já precisou enfrentar ao longo da vida.

Cerca de 800 pessoas vivem na vila de em Araras, das quais pelo menos 20 foram diagnosticados com a XP. Isso representa um caso para cada 40 habitantes - nos Estados Unidos, a proporção é de um para um milhão. A razão da alta concentração remontaria às sua fundação, da qual teriam participado somente poucas famílias e diversos indivíduos herdeiros da doença. Com muitos casamentos entre pessoas de mesmas família, o gene é mantido com mais facilidade.

Além da fragilidade cutânea, um em cada cinco indivíduos com a XP podem também apresentaer sinais de surdez, fraqueza muscular, dificuldade de coordenação motora e atrasos no desenvolvimento, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.

Texto adaptado de reportagem da agência AP

Fonte: Terra
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