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'Veio uma fumaça branca sufocante', diz fotógrafo atingido por explosão de bueiro na Av. Paulista

Quatro dias após acidente, vítima ainda tem zumbido no ouvido e trata ferimentos; duas mulheres também ficaram feridas

7 out 2026 - 22h17
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Resumo
A explosão de um bueiro na Avenida Paulista deixou três feridos, entre eles o fotógrafo Rodrigo Marrano, que sofreu queimaduras de primeiro grau e sequelas auditivas. Além dele, duas mulheres foram socorridas e já receberam alta. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o incidente com o apoio do Instituto de Criminalística. Enquanto a Comgás descartou vazamento de gás natural no local, a Enel negou relação com sua operação e prometeu ressarcir os gastos médicos do fotógrafo.

Quatro dias após a explosão de um bueiro na Avenida Paulista, em São Paulo, o fotógrafo e filmmaker Rodrigo Marrano, de 37 anos, ainda convive com um zumbido incômodo e contínuo no ouvido. Ele estava a 5 metros do bueiro e foi atingido pelo impacto da explosão, sofrendo queimaduras de primeiro grau em várias partes do corpo. "Fez um barulho e veio um bafo de ar quente com uma fumaça branca sufocante. Eu estava com roupa de treino e minha camisa colou no corpo", diz, ao Estadão.

Rodrigo mora na Vila Mariana e, no sábado, foi até a Paulista com um amigo à procura de equipamentos de fotografia para seu trabalho - ele tem projeto de montar uma produtora. "Estava um dia bonito, meu amigo foi para casa e eu caminhava pela Paulista, em frente ao Bradesco, quando ouvi um estouro. Achei que era rojão por causa da manifestação que havia do outro lado." No momento do acidente, havia um ato político do presidente Lula em outro ponto da avenida, distante do local.

Marrano lembra que havia duas senhoras bem próximas ao bueiro quando houve o estouro. "No momento eu não entendi o que estava acontecendo, só acelerei o passo e entrei no Japan House (centro cultural da Paulista). Aí fui ver como eu estava e percebi que a blusa de corrida tinha colado no corpo. Como eu estava de short, vi que a coxa estava chamuscada e surgiam alguns pontinhos de sangue. Também vi que os cabelos e a sobrancelha estavam chamuscados. Falei: 'caramba, eu me queimei todo'."

Só então ele se deu conta de que o bueiro havia explodido e levantado o pavimento da rua. A polícia chegou rápido, os policiais perguntaram como ele estava, se havia visto o ocorrido e, ao verem que estava ferido, mandaram que se sentasse e esperasse o resgate. As duas mulheres foram socorridas primeiro.

Marrano foi levado pelo resgate para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Mariana. Depois do atendimento, já no domingo, 4, ele passou por exames no Instituto Médico Legal (IML). "Estou aguardando ser chamado para depor no inquérito da Polícia Civil", disse.

O fotógrafo conta que, devido às queimaduras, precisou reprogramar alguns serviços. "Tinha um trabalho urgente agendado, mas o cliente entendeu e vamos fazer depois. Ainda estou tratando os ferimentos na coxa com pomadas antissépticas e hidratantes. Já consegui colocar uma calça, mas ainda incomoda. Estou dormindo no sofá, pois na cama me movimento muito e acabo sentindo a coxa."

Uma assistente social da Enel fez contato com ele e disse que a empresa reembolsaria os gastos com medicamentos. Segundo a prefeitura de São Paulo, além do fotógrafo, as duas mulheres se feriram e também foram socorridas logo após o acidente. Uma delas foi levada para o Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio e a outra para o Hospital São Paulo. As duas já tiveram alta.

Ainda no sábado, a SSP informou que o Instituto de Criminalística será responsável pela perícia de engenharia para apuração do incidente, além de exames de corpo de delito das vítimas no Instituto Médico Legal (IML).

Nesta terça-feira, 6, a pasta informou que os laudos periciais requisitados estão em elaboração e, tão logo finalizados, serão analisados. O caso é investigado pelo 78º Distrito Policial (Jardins).

A Comgás, empresa responsável pela distribuição e fornecimento de gás natural encanado na cidade, disse que realizou as medições técnicas no local e que posteriores amostras laboratoriais coletadas descartaram a presença de gás natural. A empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com eventuais esclarecimentos.

Em nota, a Enel Distribuição São Paulo reforçou que a ocorrência não teve relação com a operação da companhia e que a empresa segue acompanhando os trabalhos na região.

Estadão
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