vc repórter: quedas de árvores põem moradores de SP em risco
No último domingo, uma árvore caiu sobre a piscina de um condomínio na zona norte de São Paulo
Moradores de um condomínio localizado no bairro Vila Ester, zona norte de São Paulo, convivem com um medo constante. De acordo com o leitor A. P. F, quedas e derrubadas de árvores plantadas em um terreno vizinho, que pertence à prefeitura, já causaram diversos transtornos na região. O caso mais recente aconteceu no último domingo. Um tronco caiu sobre a piscina do conjunto de prédios. Ninguém ficou ferido.
O ocorrido se deu no número 555 da rua Soror Angélica. A. P. F. disse que, diferente dos três casos anteriores, a última queda não aconteceu de forma natural. Funcionários de um condomínio localizado no número 705 da mesma via decidiram cortar o exemplar, porque estava “muito alto e seco”.
O leitor afirmou que a árvore tinha mais de 30 metros de altura e cerca de 1 metro de diâmetro, mas, apesar do tamanho, foi amarrada com apenas “três cordinhas”, que não sustentaram o tronco e facilitaram o desabamento. Ele acrescentou que, por sorte, os moradores escaparam de uma tragédia.
A. P. F. contou que as ocorrências e os temores relacionados às árvores são tão antigos que os moradores pensaram que aquela era mais uma queda natural. “Já chamamos várias vezes a subprefeitura porque já caiu árvore dentro do condomínio, já caiu uma em um carro. Pelo menos quatro já caíram por ali. Há outras em risco. São muito antigas e são gigantes. Só o nosso condomínio tem mais de oito protocolos abertos na prefeitura, pedindo a poda e o corte das árvores do terreno deles e alertando para os riscos. Eles informam que temos que aguardar porque, se cortarmos, pode dar cadeia e é inafiançável. Os protocolos têm mais de cinco anos”, explicou.
O leitor relatou ainda que a prefeitura nada fez quanto aos avisos de que há coqueiros com risco de queda perto da piscina, mas afirmou que ninguém mexe por temer multas e punições maiores. Apesar do perigo, A. P. F. garantiu que os moradores não se opõem ao terreno arborizado. “Queremos que tenha o bosque ali, mas com segurança. Já oferecemos até mudas”, disse.
O morador informou que, após a queda sobre a piscina, a Defesa Civil foi ao local “com muito custo” e isolou a área, após constatar que havia árvores rachadas. Na última segunda-feira, uma equipe da prefeitura, acompanhada por um engenheiro, visitou o condomínio, mas não cumpriu a promessa de voltar no dia seguinte.
Procurada pelo Terra, a prefeitura, por meio da Subprefeitura Casa Verde, informou que irá fazer um levantamento para verificar a titularidade do terreno e “tomar as medidas cabíveis”. Uma vistoria realizada na área que é municipal constatou a “necessidade de poda de rebaixamento em um eucalipto, que está resvalado pela queda do outro exemplar”. O início do serviço está previsto para o final desta semana, juntamente com a execução de poda em outras duas árvores.
O órgão esclareceu que as ações pertinentes às espécies arbóreas são balizadas por legislações estaduais e municipais. A administração municipal não se manifestou sobre possíveis punições ao condomínio que cortou um dos exemplares, mas reforçou que todas as subprefeituras possuem equipes de poda, e que esse serviço é sempre realizado com o acompanhamento de engenheiros agrônomos, com base na Lei nº 10.365, já que a poda realizada irregularmente é considerada crime ambiental.
A prefeitura destacou que a população também pode ajudar nos casos de ocorrência de queda de árvore que interdite residências ou ofereça riscos. A Defesa Civil deve ser acionada por meio do telefone 199. O órgão disse também que qualquer cidadão pode solicitar o manejo de árvores e áreas verdes pelo telefone 156, pelo SAC da prefeitura (sac.prefeitura.sp.gov.br) ou pessoalmente, na Praça de Atendimento da Subprefeitura da região.
O leitor A. P. F., de São Paulo (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui ou envie pelo aplicativo WhatsApp, disponível para smartphones, para o número +55 11 97493.4521.