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RS: dois meses depois, tragédia de Santa Maria terá mais homenagens

Palmas, buzinas e sinos serão formas de lembrar as vítimas da Kiss, às 18h desta quarta

27 mar 2013
08h30
atualizado às 10h03
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A dor não passa, a memória não apaga o que aconteceu, mas a vida segue. Ou pelo menos tenta. Passados dois meses da tragédia na Boate Kiss, nesta quarta-feira, a morte de 241 pessoas será lembrada mais uma vez com homenagens aos que partiram.

<p>Servidores do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Santa Maria retiraram cerca de um quilo de poeira e fuligem do interior da boate Kiss ontem</p>
Servidores do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Santa Maria retiraram cerca de um quilo de poeira e fuligem do interior da boate Kiss ontem
Foto: Luiz Roese / Especial para Terra

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A exemplo do que aconteceu no dia 27 de fevereiro, quando a tragédia completava um mês, esta quarta-feira terá um momento de "barulho" para lembrar as vítimas em Santa Maria (RS). Desta vez, não será pela manhã. A manifestação está marcada para as 18h.

Nesse horário, os sinos das igrejas badalarão. Todos estão convidados também a acionar a buzina dos veículos e a bater palmas. Haverá uma concentração na praça Saldanha Marinho, onde estarão presentes familiares das pessoas que morreram, incluindo representantes da Associação de Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria. Durante as manifestações, alunos de escolas de Santa Maria farão apresentações culturais.

Pelo menos duas missas estão programadas em Santa Maria. Às 19h, na Igreja Nossa Senhora das Dores, a celebração será comandada pelo padre Francisco Bianchin, que fazia visitas quase que diárias aos sobreviventes da tragédia que estavam internados nos hospitais da cidade. Às 20h, haverá uma missa no Santuário Basílica da Medianeira. A celebração não irá só homenagear as vítimas, como também os profissionais e os voluntários que auxiliar no socorro dos que se feriram no incêndio e dos familiares das pessoas que morreram por causa da tragédia.  

No momento em que o incêndio completa dois meses, o luto dos familiares das vítimas entra em um novo momento, conforme explica o presidente da associação, Adherbal Ferreira: "Nós estávamos em um período em que parecia que nossos filhos tinham ido para uma viagem e iriam voltar. Agora é a fase da realidade. Essa não tem um tempo certo para durar. Vai haver momentos de choro muito intenso, vai ter momentos em que a pessoa precisa até gritar."

No Centro Universitário Franciscano (Unifra), que perdeu mais de 30 pessoas que tinham ligação com a instituição, entre alunos e egressos, também haverá uma confraternização nesta quarta. Será um ato ecumênico no hall do prédio 16, no conjunto 3, às 18h30. A temática da celebração será 'Um Novo Sentido da Vida'.

Argentina
A mobilização desta quarta, que promete se repetir todo dia 27, também vai chegar à Argentina. Por iniciativa da associação 'Familias por la Vida', que reúne familiares e sobreviventes da tragédia da boate Cromañon, que matou 191 pessoas em Buenos Aires, haverá também um ato na capital argentina para lembrar as vítimas da Kiss, no mesmo horário. A entidade já tinha uma cerimônia programada para dia 30, mas o ato foi antecipado para ser realizado junto com Santa Maria, para demonstrar uma irmandade.

Uma das intenções futuras da associação é trazer a Santa Maria o Papa Francisco, que manifestou seu sentimento sobre o que aconteceu na Boate Kiss, em encontro com a presidente Dilma Rousseff. Como ele virá ao país em julho, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, no Rio, essa pode ser uma oportunidade.

Incêndio na Boate Kiss
Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou 241 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

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Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

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A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Especial para Terra

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