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Tragédia em Santa Maria

Polícia pede lista de fiscais e secretários à prefeitura de Santa Maria

14 fev 2013 - 07h42
(atualizado às 09h17)
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Nesta terça-feira, o Instituto Geral de Perícias fez nova perícia dentro da Boate Kiss
Nesta terça-feira, o Instituto Geral de Perícias fez nova perícia dentro da Boate Kiss
Foto: Rafael Dias/Agência Freelancer / Especial para Terra

A prefeitura de Santa Maria foi notificada oficialmente na quarta-feira pela Polícia Civil para entregar a lista de todos os fiscais e secretários municipais que, de alguma forma, tiveram relação com a concessão e a fiscalização de alvarás para a boate Kiss. A relação deve conter os nomes dos servidores públicos e dos cargos políticos que passaram pelas pastas desde 2009, quando se iniciaram os trâmites para a abertura da casa noturna. As informações foram publicadas no jornal Zero Hora.

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A medida faz parte da terceira fase da investigação do incêndio do dia 27 de janeiro que causou a morte de 239 pessoas. Segundo a polícia, fiscais e secretários irão depor na semana que vem e deverão esclarecer pontos referentes à fiscalização: como era feita e se houve negligência. Os secretários deverão explicar o funcionamento da pasta desde a concessão de alvarás até a fiscalização. Ainda haverá a reconstituição da tragédia. A estimativa é que 500 pessoas escaparam da morte e podem ajudar a Polícia Civil a esclarecer as causas do desastre. Os investigadores não descartam a participação de figurantes na reconstituição.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

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A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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