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STJ dá nova decisão sobre reintegração de posse do Espaço Petrobras de Cinema na Augusta, em SP

Imóvel considerado patrimônio cultural seria demolido para construção de prédio; ação ainda será julgada e cabem recursos

14 set 2026 - 19h34
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Resumo
O STJ suspendeu a reintegração de posse do tradicional Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo, movida pela incorporadora Rec Villa, que planeja erguer um prédio no local. O ministro Teodoro Silva Santos considerou que a empresa omitiu fatos cruciais, como o tombamento do imóvel como Zona Especial de Preservação Cultural pelo Conpresp e uma liminar que impede a demolição do casarão histórico. Com o efeito suspensivo, o cinema segue preservado enquanto aguarda o julgamento definitivo do caso.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a reintegração de posse do Espaço Petrobras de Cinema, na rua Augusta, na região central de São Paulo. O imóvel, que inclui o Café Fellini, chegou a ser alvo de uma reintegração de posse, em maio deste ano, após uma decisão do próprio tribunal. Nesta sexta-feira, 11, o ministro relator Teodoro Silva Santos acatou um recurso dos detentores do cinema, concedendo efeito suspensivo à reintegração de posse.

Procurada pela reportagem, a gestão do cinema informou que vai se pronunciar apenas nos autos da ação. O Estadão entrou em contato com advogados da incorporadora Rec Villa Empreendimentos Imobiliários, adquirente do imóvel, e aguarda retorno.

O ministro considerou que, no recurso da incorporadora, foram omitidos fatos supervenientes relevantes, como o enquadramento do imóvel como Zona Especial de Preservação Cultural pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). Lembrou ainda a existência de uma liminar em ação civil pública que impede a demolição e alteração do espaço protegido. Cabem novos recursos no processo, que ainda não teve julgamento definitivo.

A ação de reintegração de posse foi movida pela incorporadora Rec Villa 15 Empreendimentos Imobiliários, que adquiriu o imóvel em 2022 para construir um empreendimento imobiliário no local.

Em março de 2023, o anexo do cinema foi reconhecido como Zona Especial de Preservação Cultural, o que obrigou a construtora a incluir as salas de cinema como fachada ativa no prédio comercial e residencial.

Já em dezembro de 2024, a Justiça suspendeu o parecer que autorizava a demolição do prédio, um casarão da década de 1930. O Conpresp havia autorizado a demolição, com a condicionante de manter as salas de cinema ativas, como espaço para produção cultural.

Anexo do cinema foi reconhecido como Zona Especial de Preservação Cultural.
Anexo do cinema foi reconhecido como Zona Especial de Preservação Cultural.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Com a disputa judicial, a curadoria do espaço chegou a ensaiar o fechamento das salas de exibição em março de 2023, após 28 anos de funcionamento do tradicional espaço de exibição cinematográfica da capital paulista. A concessão da primeira liminar deu sobrevida à instituição. Até que em maio deste ano, oficiais de justiça foram ao local e retiraram parte dos móveis e equipamentos, dando cumprimento parcial à reintegração de posse.

Com o recurso do cinema, a retirada dos projetores, telões e poltronas não foi realizada. Agora, as partes devem aguardar o julgamento das ações que versam sobre o despejo - uma ação civil pública, que tem a participação do Ministério Público de São Paulo, e uma ação civil privada, na qual foi dada inicialmente a reintegração de posse.

Estadão
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