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SP: litoral e interior têm alta de roubos maior do que a capital

Cidades como São Caetano, Caieiras, Praia Grande, Barretos e Hortolândia tiveram um aumento percentual de roubos superior ao da capital

24 mai 2022 13h00
| atualizado às 13h56
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Viaturas da Polícia Militar em São Paulo
08/08/2006 REUTERS/Caetano Barreira
Viaturas da Polícia Militar em São Paulo 08/08/2006 REUTERS/Caetano Barreira
Foto: Reuters

A explosão de roubos assustou paulistanos nos primeiros meses de 2022. O Estado reagiu com a Operação Sufoco, que coloca mais policiais nas ruas, na tentativa de conter os crimes. Embora a capital seja o foco da resposta do governo, parte das cidades da região metropolitana, do litoral e do interior têm taxas de aumento de roubos no 1º trimestre até maiores do que São Paulo.

Na capital, o crescimento foi de 10,14% na comparação entre o 1º trimestre de 2021 e o mesmo período de 2022 - indo de 31.463 para 34.654 roubos. Entre as cidades de maior população, São Caetano do Sul viu alta de 118% (de 118 para 257 roubos). O município do ABC paulista registrou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto do Brasil em 2013, último ano em que foi feita essa medição.

"É uma cidade rica cercada por cidades não tão ricas, o que gera uma possibilidade grande de migração de criminosos para praticar crimes em São Caetano", diz Rafael Alcadipani, especialista em Segurança Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A hipótese é compartilhada pela própria prefeitura, que aponta destaque do município pela "geração de renda", o que acaba atraindo criminosos.

Segundo Alcadipani, cada município tem uma dinâmica de roubos. Em Caieiras, também na região metropolitana, o aumento foi de 123% (de 30 para 67 roubos). "Lá, existem muitas rodovias, então pode ter um efeito ligado ao roubo de cargas, assim como Hortolândia (alta de 71%, de 153 para 263), onde também há várias rodovias por perto", completa.

No litoral paulista, Praia Grande registrou aumento de 43% (de 624 para 894). Alcadipani destaca também o efeito do pós-pandemia em todas as cidades, mas em especial na região litorânea para a análise do 1º trimestre. Como é época das férias de verão, isso tende a aumentar os índices de criminalidade.

"Praia Grande é uma das cidades com maior fluxo de turistas do litoral paulista, o que explica, em partes, esse aumento. Mas por que o índice de roubos subiu lá e não subiu [na mesma proporção] em Santos ou no Guarujá, onde também há um fluxo alto?", questiona Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Santos teve um aumento de 21% (de 417 para 507 roubos), já Guarujá, uma queda de 16% (de 743 para 622).

Barretos teve uma quantidade absoluta de roubos pequena, mas o percentual de alta chegou a 187% entre o 1º trimestre de 2021 e 2022 (de 16 para 46). A cidade diz contratar, desde 2021, oito PMs pagos pelo município para uma atividade delegada e ter recebido duas viaturas do governo do Estado para rondas em áreas rurais.

"A modernização do sistema de iluminação pública com a instalação de lâmpadas de LED em bairros periféricos e a criação de 44 novos pontos de iluminação no Distrito Industrial são outras duas ações que favorecem a segurança da cidade", completa o secretário de Ordem Pública de Barretos, Jorge Roberto Coutinho, que cita investimento de R$ 559 mil em infraestrutura.

Embora os municípios tenham registrado altas superiores à da capital, a cidade de São Paulo concentra quase 58% dos roubos reportados de janeiro a março nas delegacias do Estado, apesar de conter cerca de 26% da população paulista. No total, apenas 45 municípios concentram 92% dos roubos no Estado.

Estado precisa ir além de ação emergencial, diz especialista

No início de maio, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) anunciou a Operação Sufoco, que quase dobrou o número de policiais militares nas ruas de São Paulo. Alcadipani considera que a medida é uma solução emergencial, mas não é suficiente para a realidade do Estado. "Precisa de solução de longo prazo, até porque estão colocando os policiais para trabalhar na hora de folga, o que não é ideal", opina.

Cidades do interior e do litoral paulista pedem ao governo do Estado um aumento no efetivo de policiamento ostensivo. No Guarujá, após dois ataques seguidos de quadrilhas fortemente armadas a instalações bancárias, a prefeitura conseguiu um reforço nas ações da polícia.

O governo de São Paulo prometeu estender a Operação Sufoco da capital para o restante do Estado.

"Há defasagem grande no número de polícias, tanto civil quanto militar. É preciso repor esses efetivos, e fazer policiamento com inteligência", acrescenta Alcadipani.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que está atuando continuamente no combate à criminalidade no Estado, que apresentou queda de 4% nos roubos no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2019 (período pré-pandemia). "Nas cidades citadas, a produtividade policial aumentou no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o mesmo período do ano passado. A atuação das polícias possibilitou no aumento de 5,5% das prisões efetuadas, 5% dos veículos recuperados e 22,4% dos inquéritos instaurados", disse a SSP, em resposta ao Estadão.

"A Polícia Militar realiza patrulhamento ostensivo e preventivo em todo o Estado por meio de diversos programas como Rocam, Força Tática entre outros. Também há realização de reuniões do Conseg onde representantes do poder público se reúnem com representantes da sociedade civil para juntos deliberarem soluções para diversas áreas, inclusive segurança pública", completa o órgão.

A Prefeitura de São Caetano reforça que trabalha para favorecer a integração entre as forças de Segurança (Guarda Civil Municipal, Policia Civil e PM). O município diz ainda que tem convênios que permitem que policiais (Atividade Delegada) e guardas-civis (Atividade Diferenciada) atuem em dias de folga no policiamento da cidade. Também destaca a compra de novas aparelhos de videomonitoramento - o sistema conta com 300 câmeras.

A Prefeitura de Praia Grande diz investir em segurança e destaca o aumento de câmeras, com funcionamento 24 horas por dia. "Já são mais de 3.000 câmeras espalhadas por todos os bairros". Outros destaques são o uso de softwares de reconhecimento facial e analítico, ampliação da Guarda Civil Municipal, que tem cerca de 400 integrantes, entrega de viaturas, drones, além da ampliação das parcerias com outros órgãos, como as polícias Militar e Civil.

Ainda segundo a cidade, só os furtos tiveram alta na comparação com o pré-pandemia. "No restante: homicídios, latrocínio, roubo e furto de veículos, outros roubos, todos tiveram redução", comentou o secretário de Assuntos de Segurança, Maurício Izumi.

Procuradas, as Prefeituras de Caieiras e Hortolândia não responderam o Estadão até o momento de publicação desta reportagem.

 

Estadão
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