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‘Nunca tivemos ninguém a nosso favor’, diz avô de menino morto durante chuvas no RJ

Calebe Jefferson, de 1 ano e 8 meses, morreu após um barranco cair sobre a casa em que estava durante um temporal

23 fev 2024 - 16h34
(atualizado às 23h36)
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Resumo
Um forte temporal na cidade de Japeri, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, matou duas pessoas. Calebe Jefferson Veloso Costa, de 1 ano e 8 meses, morreu após um barranco cair sobre a casa em que estava.
Calebe Jefferson, de 1 ano e 8 meses, morreu após um barranco cair sobre a casa em que estava durante um temporal
Calebe Jefferson, de 1 ano e 8 meses, morreu após um barranco cair sobre a casa em que estava durante um temporal
Foto: Reprodução/TV Globo

Um forte temporal que atingiu a cidade de Japeri, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, matou duas pessoas. A jovem Ana Caroline Sodré, de 24 anos, e Calebe Jefferson Veloso Costa, de 1 ano e 8 meses. Ambos morreram após um barranco cair sobre as casas em que estavam. 

Em um relato emocionante a João Vitor Costa, repórter de O Globo, José Carlos Amorim de Oliveira, que se considera avô do menino, relembrou como foi a noite de terror vivida pela família. 

"[Na noite de quarta-feira], eu estava com água na altura da cintura na minha casa, que fica no mesmo bairro, e, quando chove, vira um mar. Peguei minha família e fui para a casa de um dos meus filhos, Willaymison, para nos abrigar, porque fica numa rua mais alta (a Rua do Mocambo). O mesmo fez meu outro filho, Marlon, com sua mulher, Cristiane, que levaram os filhos dela, gêmeos, Calebe e Jade, de 1 ano e 8 meses, para também abrigá-los do temporal. Eu estava indo com minha família, quando vi tudo acontecer e a casa foi abaixo”, contou. 

De acordo com ele, se tivesse tido mais tempo, também teria entrado “E teriam ficado mais dez pessoas embaixo, sufocados, passando o perrengue que o menino passou”, relembra.  

Ele contou que correu para os escombros para ajudar, da forma que podia, tentando retirar a lama com as unhas. “Quem chegou do trabalho, de trem, desceu de roupa e tudo, para dentro da lama para nos ajudar”. 

O resgate começou às 22h e parou próximo da meia-noite. Quando chegaram na criança, o menino já estava “mole, amarelo e ficando roxo”. O avô conta que o que piorou a situação do menino foi ter aspirado cerca de meio botijão de gás. 

Isso me parte o coração. Não tenho mais o menino para falar 'vovô, vamos tomar um café?'. Ele não é meu neto biológico, mas meu filho cuida dele desde pequeno. Então é meu neto de coração. Fico pensando na irmãzinha dele, que já está bem. Ela só teve uma torção no pé, que está inchado”, lamentou José Carlos. 

Ele relembra ainda que, quando a Defesa Civil chegou, ajudou cavando com as mãos. “De que adianta? Não tem estrutura sequer para coordenar a retirada de alguém. É um bairro em obra e não tinha uma máquina que pudesse nos ajudar? Sempre foi essa luta. Nunca tivemos ninguém a nosso favor, e daqui a pouco, chegando a eleição, começa a aparecer um montão deles (políticos)”, disse.

“Se me chega uma Defesa Civil montada, ou o Samu, que já chegou de manhã, o Calebe estava vivo. Minha vontade foi de dar com pau na ambulância. Essa atitude não traria meu ente querido de volta, mas dá vontade. Dá uma revolta”, desabafa. 

De acordo com ele, o problema é antigo e que já não tem mais nada: “Todas as chuvas alagam aqui, e eu já não tenho mais nada. Tudo que tenho lá em casa, faço no tijolo. É armário, sofá, cama, tudo de tijolo, porque não tenho mais como comprar nada".

A mãe de Calebe, Cristiane Talita da Costa Varela, está à base de remédios para tentar lidar com a dor da morte do filho. 

Fonte: Redação Terra
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