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Polícia investiga patroa após morte de filho de empregada

Morte de Miguel aconteceu na terça-feira, em condomínio de luxo localizado no bairro de São José, no Recife

4 jun 2020
18h32
atualizado às 18h43
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Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morreu na última terça-feira
Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morreu na última terça-feira
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

RECIFE - A morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, na última terça-feira (2), tem provocado revolta. A criança caiu do nono andar, em uma altura de cerca de 35 metros, do edifício Píer Maurício de Nassau, condomínio de luxo localizado no bairro de São José, no Recife, onde a mãe dele trabalhava como empregada doméstica. A patroa, que não teve nome divulgada, foi autuada por homicídio culposo, quando não há intencionalidade no crime. Presa em flagrante, ela foi conduzida à delegacia, onde pagou R$ 20 mil em fiança para responder ao inquérito em liberdade. O prazo para conclusão da investigação é de 30 dias, a depender das apurações.

De acordo com a Polícia Civil, que investiga o caso, a criança caiu da sacada após ter sido deixada sob responsabilidade da empregadora, em uma unidade do quinto andar, enquanto a funcionária passeava com o cachorro da patroa. Em poucos minutos, o menino tentou entrar duas vezes no elevador, conseguindo ter acesso ao nono pavimento do prédio. Na área, ficava uma caixa de condensadores de aparelhos de ar-condicionado sem tela de proteção.

Nesta quinta-feira (4), a empregada doméstica Mirtes Renata Souza declarou à TV Globo que era funcionária do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, e da esposa dele, Sari Corte Real. A informação não foi confirmada pela Polícia Civil nem pela prefeitura de Tamandaré, no litoral sul do Estado.

"O fato é que a gente observa que ela (a moradora) aperta um outro andar superior ao apartamento em que residia e a criança acaba, de forma inesperada pela investigação, a ficar só no elevador. Ela sobe, para no primeiro andar e depois, ao abrir a porta do nono andar, ela desembarca", disse o delegado da Delegacia Seccional de Santo Amaro, Ramon Teixeira.

O delegado afirma que a morte, em decorrência da queda da criança, foi acidental. "O que restava identificar ao longo do processo apuratório preliminar era a responsabilidade de alguém pelo fato de aquela criança ter ficado só", explicou em coletiva de imprensa transmitida pela internet.

"Sendo a morte resultado de um homicídio culposo, um crime para o qual a nossa legislação confere o arbitramento de fiança, é um direito subjetivo da pessoa autuada, pelo menos juridicamente falando, e o arbitramento da fiança no valor de R$ 20 mil, quando pago, nos fez conceder a liberdade provisória", concluiu o delegado.

PROTESTO PEDE JUSTIÇA

Inconformada com o andamento da investigação sobre a morte da criança, Amanda Kathllen Souza da Costa, sobrinha de Mirtes Renata, está organizando um protesto para cobrar justiça pelo caso. A manifestação está marcada para a próxima sexta-feira (5), a partir das 15h, em frente ao edifício Píer Maurício de Nassau. A jovem conta que os manifestantes devem vestir camisa na cor branca e levar cartazes ao local. "A gente precisa de pessoas apoiando e sentido a dor da gente", fala.

"Disseram que foi acidente, a gente estranhou o fato de não ter as imagens (de câmeras do elevador), só mostraram Miguel saindo do elevador. Depois, veio a imagem da patroa que colocou ele sozinho no elevador, porque Miguel aperreou querendo a mãe dele. Ela apertou o (botão do) elevador, deixou sozinho e aconteceu essa fatalidade", diz Amanda Kathllen.

A jovem fala sobre a dor da família e comenta que a primeira palavra que lhe veio à cabeça após saber da morte do primo foi "indignação" e "irresponsabilidade". "Imagina se fosse minha tia fazendo o contrário. Meu Deus, como uma pessoa tem coragem de fazer isso?", perguntou-se.

Amanda Kathllen confirmou que Mirtes Renata Souza trabalhava para Sérgio Hacker e Sari Corte Real. Em 22 de abril, o prefeito de Tamandaré afirmou que estava com o novo coronavírus. "Minha tia, mesmo doente, continuou trabalhando para eles", afirma a jovem, acrescentando que a funcionária também havia testado positivo para a covid-19.

O corpo de Miguel Otávio Santana da Silva foi velado na última quarta-feira no cemitério de Santo Amaro, em área central do Recife. Depois, o cortejo seguiu para o distrito de Bonança, em Moreno, na Região Metropolitana, onde houve o sepultamento.

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