PUBLICIDADE

Polícia Federal apreende 15 girafas em resort do Rio

Animais foram importados da África do Sul e chegaram ao Brasil em novembro para serem integrados ao BioParque, novo modelo de zoológico na Quinta da Boa Vista. Três morreram em dezembro

26 jan 2022 22h53
| atualizado em 27/1/2022 às 07h32
ver comentários
Publicidade
15 girafas foram apreendidas pela Polícia Federal
15 girafas foram apreendidas pela Polícia Federal
Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal apreendeu 15 girafas e prendeu dois homens acusados de maltratar os animais em um resort safari em Mangaratiba, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, na tarde desta quarta-feira, 26. As girafas fazem parte de um grupo de 18 que foram importadas da África do Sul e chegaram ao Brasil em novembro, para serem integradas ao BioParque, novo modelo de zoológico existente na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio. Três girafas morreram em dezembro.

As girafas chegaram ao Brasil em 11 de novembro, trazidas da África do Sul de avião. Foi a maior importação de animais de grande porte já realizada no Brasil, segundo entidades ambientais, e foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O órgão federal não autoriza a importação de animais exóticos capturados na natureza e destinados ao comércio. Segundo os importadores, as girafas não foram capturadas na natureza - teriam sido criadas numa reserva particular -, mas há suspeita de que teriam sido retiradas da natureza.

As girafas foram levadas para o Portobello Resort & Safári, empreendimento com 300 mil metros quadrados situado em Mangaratiba. Elas ocupam um galpão e, no início, saíam para circular pela mata. Mas em 14 de dezembro seis fugiram, pularam uma cerca e foram recapturadas. Três morreram horas depois. As girafas nunca mais saíram para passear, e entidades de defesa dos animais passaram a acompanhar o caso.

A Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a morte das três girafas e a situação das demais. Nesta quarta-feira, policiais federais e analistas ambientais do Ibama foram ao local onde as 15 girafas estão e constataram situação de maus-tratos. Por isso, dois homens responsáveis pela manutenção dos animais foram presos, e os animais foram apreendidos e depositados sob cuidados da própria entidade. O Ibama ficará responsável pela supervisão e adotará todas as providências necessárias para salvaguardar a integridade das girafas.

Os presos foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal no Rio, onde foi lavrado termo circunstanciado de ocorrência por maus tratos, crime previsto no art. 32 da lei de crimes ambientais.

A investigação vai prosseguir para apurar as circunstâncias e a legalidade da importação dos animais, bem como as condições de manutenção e cuidado das girafas.

O Estadão tentou contato com a administração do BioParque, sem sucesso até a publicação desta reportagem. Ao site G1, o BioParque negou os maus-tratos às girafas e afirmou que as denúncias são infundadas e que a importação foi autorizada pelos governos brasileiro e sul-africano.

Também consultada pela reportagem, a prefeitura do Rio não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Estadão
Publicidade
Publicidade