Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

PMs vão a júri popular por morte de estudante de medicina em São Paulo

Marco Aurélio Cardenas Acosta foi baleado durante uma abordagem policial no bairro da Vila Mariana; defesa dos policiais diz que 'respeita a decisão e irá recorrer'

23 fev 2026 - 18h05
(atualizado às 18h26)
Compartilhar
Exibir comentários

A Justiça determinou nesta segunda-feira, 23, que os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado devem ser julgados por júri popular pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta em novembro de 2024. Ainda não há data prevista para o julgamento.

Procurado pelo Estadão, o advogado João Carlos Campanini, que representa os policiais militares, afirmou que "a defesa respeita a decisão e irá recorrer, uma vez que o próprio juízo narrou não ter certeza dos fatos". Ele acrescenta que, "na hipótese da legítima defesa, a lei impõe que a dúvida deve gerar a absolvição dos acusados".

Marco Aurélio tinha 22 anos quando foi baleado pelo policial Guilherme Augusto Macedo. O jovem foi alvejado na barriga na madrugada do dia 20 de novembro de 2024, na porta de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

Marco Aurélio Cardenas Acosta em foto ao lado do pai
Marco Aurélio Cardenas Acosta em foto ao lado do pai
Foto: Divulgação/Julio Cesar Acosta Navarro / Estadão

Macedo e outro policial, Bruno Carvalho do Prado, estavam fazendo ronda de rotina pela Vila Mariana, quando Marco Aurélio passou caminhando sem camisa e deu um tapa no retrovisor da viatura. Os dois policiais saíram em perseguição a ele, que tentou entrar em um hotel onde estava hospedado com uma mulher. O estudante, desarmado, foi encurralado pelos policiais. Macedo atirou à queima-roupa e Marco Aurélio morreu.

Os advogados Pedro Medeiros Muniz e Nikolas Limas Pessoa Dias, que representam a família de Marco Aurélio, classificaram a determinação do julgamento por júri popular "um passo decisivo rumo à justiça", mas destacaram que "a família recebe com profunda indignação e inconformismo a parte da decisão que permitiu aos réus recorrerem em liberdade". Eles afirmam que continuarão exigindo a prisão preventiva dos réus e a expulsão das fileiras da corporação.

"A liberdade desses agentes representa um risco manifesto à ordem pública e uma afronta direta à memória de Marco Aurélio e à dor de sua família. Não descansaremos até que aguardem o veredito final atrás das grades", dizem em nota.

Em vídeo gravado pelas câmeras corporais dos policiais no dia que Marco Aurélio morreu, é possível ver o universitário falando "Tira a mão de mim! Tira a mão de mim!" repetidas vezes aos dois PMs, de acordo com o relatório final do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em relatório final de inquérito, o delegado Gabriel Tadeu Brienza Vieira, do DHPP, afirmou que o uso de arma de fogo no caso "não se mostrou legítimo", uma vez que "a vítima estava visivelmente sem armas e não estava em atitude que pudesse representar risco de morte ou lesão a guarnição policial ou terceiros".

O Ministério Público indiciou Macedo e Prado por homicídio doloso (intencional). Recentemente, a juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara Criminal do Júri da capital, negou pedido de prisão preventiva para Macedo, mas aceitou a denúncia do MP, permitindo que o caso começasse a tramitar.

A juíza também determinou que o policial cumpra medidas cautelares. Macedo está proibido de manter contato com familiares da vítima, deve se apresentar mensalmente em juízo, precisa manter seu endereço atualizado perante a Justiça, não pode se ausentar por mais de oito dias da comarca onde mora e está proibido de frequentar bares e festas.

Em dezembro de 2025, a Universidade Anhembi-Morumbi concedeu um diploma póstumo a Marco Aurélio. A homenagem aconteceu durante a colação de grau da turma do estudante de Medicina. Os pais da vítima, Julio Cesar Acosta Navarro e Silvia Cardenas Prado, receberam o diploma em nome do filho com muitos aplausos dos presentes. Tanto Julio quanto Silvia são médicos.

View this post on Instagram
Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade