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PM realiza reintegração de posse de prédio com risco de desabar na Oscar Freire

Segundo a corporação, a ação ocorre de forma pacífica; a desocupação do Edifício Peixoto Gomide foi autorizada pela Justiça devido à falta de 'qualquer garantia de segurança, com potencial risco de ruína'

6 mai 2026 - 08h31
(atualizado às 16h01)
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A Polícia Militar iniciou nesta quarta-feira, 6, a reintegração de posse de um prédio com risco de desabamento no cruzamento das ruas Oscar Freire e Peixoto Gomide, nos Jardins, zona oeste de São Paulo.

Segundo a corporação, a ação ocorre de forma pacífica, sem o registro de intercorrências até o momento. Os moradores já haviam deixado o local na terça-feira, 5.

A desocupação imediata do Edifício Peixoto Gomide foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 10 de abril, devido à falta de "qualquer garantia de segurança, com potencial risco de ruína". A Prefeitura de São Paulo também já havia apontado problemas estruturais e risco de colapso na unidade.

Reintegração de posse do Edifício Peixoto Gomide, nos Jardins, começou nesta quarta-feira, 6.
Reintegração de posse do Edifício Peixoto Gomide, nos Jardins, começou nesta quarta-feira, 6.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

De acordo com um laudo da Defesa Civil emitido em janeiro deste ano, o prédio apresenta "condic¸o~es de insalubridade e deteriorac¸a~o". Diante da situação, o órgão solicitou a "desocupac¸a~o imediata da edificac¸a~o, visando à integridade fi´sica dos seus ocupantes". O documento apontou, ainda, o acúmulo de lixo e até a instalação de uma piscina no local, fatores que agravam o estado de insalubridade e a precariedade da construção.

Imbróglio envolvendo imóvel ocupado

O edifício é o centro de uma disputa judicial que já dura quase duas décadas, travada entre uma construtora - proprietária da maioria das unidades - e dois proprietários que resistem à venda.

Segundo o processo, iniciado em 2007, a empresa Santa Alice Hotelaria e Construções Ltda. adquiriu sete dos nove imóveis do prédio de quatro andares. Cada unidade custou entre R$ 65 mil e R$ 150 mil (em valores da época não corrigidos pela inflação).

O imóvel foi desocupado em 2006, após o valor do condomínio saltar de R$ 200 para R$ 6,9 mil (também em valores da época), no que teria sido uma retaliação da Santa Alice contra os dois proprietários remanescentes, que se recusaram a vender seus apartamentos para viabilizar um projeto de luxo no local.

Eles deixaram o prédio no final de 2007, depois que um laudo do Corpo de Bombeiros enviado à Justiça atestou a precariedade das instalações e o risco de desabamento.

PM realiza reintegração de posse de prédio com risco de desabar na Oscar Freire.
PM realiza reintegração de posse de prédio com risco de desabar na Oscar Freire.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

De acordo com um dos autores da ação, a construtora teria permitido que "moradores de rua, catadores de papéis, flanelinhas" habitassem o prédio. A estratégia, segundo ele, seria uma forma de coagi-los a vender as unidades restantes.

O Estadão entrou em contato com a Santa Alice e com a advogada que representa a companhia, mas não obteve resposta. A reportagem não conseguiu contato com os dois proprietários.

À Justiça, o grupo negou as acusações e disse que havia usado os apartamentos para alojar seus funcionários que trabalhavam em obras na região. Ainda defendeu que seria "impossível a construção de edifício de luxo no local porque a metragem do terreno era muito pequena".

O empresário Álvaro Moreira esteve à frente da Santa Alice na compra do prédio. Hoje, aos 87 anos, diz que deixou o cargo de executivo para seus filhos e o apartamento para um neto de 7 anos. Mas segue acompanhando o caso de perto. Nesta quarta, foi o único da família presente na reintegração.

Ele negou que teria permitido ou estimulado a entrada dos invasores no prédio. "Fiquei com maior prejuízo. Sou o proprietário majoritário. Ficamos 20 anos no prejuízo. Você acha que faríamos isso? Eu não conheço quem invade, não sei nem quem morava aí."

O edifício ficou interditado entre 2008 e 2013, e voltou a ser ocupado em 2015 por cerca de 30 famílias que ficaram local até este ano. Tanto os dois proprietários como a Santa Alice brigam pela reintegração de posse do imóvel.

Moradores

No mês passado, a Secretaria Municipal de Habitação informou ao Estadão que, desde 2018, busca "construir uma solução pacífica" para a reintegração de posse.

Em setembro de 2025, segundo a pasta, foi firmado um acordo para a saída voluntária de 33 famílias. Elas começaram a receber o auxílio-aluguel da Prefeitura de São Paulo, que, conforme a gestão municipal, permanece ativo e com pagamentos regulares.

"Todos os moradores aqui da Peixoto Gomide recebem desde o ano passado o auxílio-aluguel. Hoje, a Prefeitura trouxe representantes das Secretarias de Habitação, Assistência Social e Direitos Humanos, da Defesa Civil, da Guarda Municipal e da Subprefeitura de Pinheiros para oferecer a nossa estrutura para os moradores do imóvel", diz o subprefeito de Pinheiros, Ygor Costa.

O edifício ficou interditado entre 2008 e 2013, e voltou a ser ocupado em 2015 por cerca de 30 famílias que ficaram local até este ano.
O edifício ficou interditado entre 2008 e 2013, e voltou a ser ocupado em 2015 por cerca de 30 famílias que ficaram local até este ano.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

O Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos representa os moradores. O advogado Eduardo Abramowicz Santos, responsável pela defesa, explicou, no final de abril, que apenas parte das famílias deixou o prédio após o acordo. Segundo ele, outras permaneceram no local por não encontrarem alternativas de residência compatíveis com o valor do auxílio-aluguel, fixado em R$ 400.

Questionado sobre o valor, o subprefeito afirmou que "todas as políticas públicas existentes foram ofertadas pela Prefeitura aos moradores". "Alguns optaram por ir para albergue. Um foi para um pensionato, pago com o auxílio-aluguel." Costa também destacou que a gestão ofereceu caminhões para a retirada das mobílias e pertences dos moradores.

Estadão
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