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PM preso por morte da mulher disse que ela chorou e se matou após o término do relacionamento

Antes de ser preso, Silva disse à Polícia Civil que Larissa 'ficou bastante abalada' após conversa sobre o término; defesa afirma que soldado 'jamais praticaria qualquer ato de violência contra' a mulher

8 set 2026 - 13h13
(atualizado às 13h42)
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Resumo
O policial militar Vinicius Costa Silva foi preso temporariamente após a morte de sua mulher, Larissa da Cruz Morata, em Embu das Artes (SP). O soldado alega que ela cometeu suicídio após o término do relacionamento, versão mantida por sua defesa. No entanto, a Polícia Civil pediu a prisão após a perícia apontar inconsistências na trajetória do tiro que atingiu a cabeça da vítima com a arma do PM. O caso é apurado como morte suspeita diante de dúvidas razoáveis sobre a tese de suicídio.

Antes de ser preso, o soldado Vinicius Costa Silva, de 26 anos, disse em depoimento à Polícia Civil que sua mulher, Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, chorou e tirou a própria vida após ele terminar o relacionamento.

Larissa foi encontrada morta na manhã de domingo, 6, na casa onde morava com Silva e o filho do casal, de dois anos, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo. A família morava no local havia pouco mais de um mês. Antes, eles viviam em Itapecerica da Serra.

Apesar de afirmar desde o primeiro momento que a mulher havia tirado a própria vida, o policial militar foi preso na segunda-feira, 7, e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes (PMRG). Ele passará por audiência de custódia nesta terça-feira, 8.

O advogado Roberto Montanari Custódio, que representa a defesa de Silva, afirmou, em nota enviada ao Estadão, que o soldado "jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho" (veja mais abaixo).

Larissa da Cruz Morata foi encontrada morta no domingo, 6; Vinicius Costa Silva foi preso na segunda-feira, 7.
Larissa da Cruz Morata foi encontrada morta no domingo, 6; Vinicius Costa Silva foi preso na segunda-feira, 7.
Foto: Reprodução/Rede social / Estadão

Em depoimento à Polícia Civil, Silva afirmou que, no dia da morte de Larissa, chegou em casa por volta das 7h20 e foi até o quarto, onde a mulher estava deitada. Segundo ele, os dois conversaram sobre o fim do relacionamento, e aquela não era a primeira vez que discutiam essa possibilidade.

O policial relatou ter dito que "a amava como pessoa" e que ela era uma excelente mãe, mas que "não a amava mais como esposa". Ele afirmou ter dito à mulher que, inicialmente, continuaria morando na casa e que a ajudaria a procurar outro lugar para morar.

O casal tinha uma farmácia em Taboão da Serra, onde Larissa trabalhava. Segundo o soldado, ele disse que a mulher poderia continuar trabalhando no estabelecimento ou até ficar com ele por completo, pois sua preocupação "era que ela tivesse condições de seguir a vida e ficasse bem".

Silva afirmou que "Larissa começou a chorar e ficou bastante abalada com a conversa". Ele disse que a abraçou e tentou acalmá-la. Após a conversa, o homem alegou ter ido dormir, até ser acordado por um estrondo muito forte que, inicialmente, pensou ser o som de um vidro quebrando.

O policial disse ter ouvido um desenho infantil na sala e acreditado que o filho pudesse ter quebrado um copo ou algum objeto. Ao chegar ao cômodo, porém, encontrou o menino brincando.

Ele perguntou onde estava Larissa e, segundo seu relato, foi informado de que ela estava tomando banho. Silva foi até o banheiro, que fica atrás de uma estrutura do guarda-roupa com espelho no quarto do casal, e encontrou Larissa caída.

O soldado afirmou ter tentando se aproximar, mas ficou "extremamente abalado" com a cena. Segundo o policial, sua primeira ação foi ligar para o 190 para acionar equipes policiais e atendimento médico. Após a chegada dos policiais, ele afirmou que entrou em contato com familiares de Larissa.

A Polícia Civil também ouviu a irmã de Silva, Thamires Costa Martins, que estava na sala com o filho do casal no momento do disparo.

Segundo o boletim de ocorrência, Larissa foi encontrada caída no banheiro da casa onde morava, por volta das 11h de domingo. Ela tinha um ferimento na cabeça provocado por arma de fogo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e confirmou a morte da jovem.

Uma arma, que pertencia a Silva, foi encontrada sob o corpo de Larissa. No banheiro também estavam um coldre, um carregador, munições e um estojo de munição.

A delegada responsável pela investigação, Bruna Caracho Crippa, pediu a prisão temporária de Silva após a médica legista que realizou os exames necroscópicos apontar "dados curiosos" em relação ao trajeto do projétil que atingiu Larissa.

"A médica legista observou alguns dados curiosos em relação ao trajeto e à trajetória desse projétil e à forma como essa moça, essa mulher veio a óbito", disse Bruna em trecho de uma entrevista à imprensa exibida pela TV Globo.

"Somados também a outras razões que nós colhemos aqui durante as investigações preliminares, à colaboração dele em relação aos fatos, às oitivas que nós tivemos aqui na delegacia, formei o juízo de convicção e decidi representar pela prisão temporária dele", acrescentou.

O advogado do soldado afirmou que a situação é "uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal". Segundo ele, a defesa entregará aos policiais "conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento".

"A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos", afirmou. Custódia acrescentou ainda que Silva confia que a investigação irá "esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa".

O caso foi registrado como morte suspeita na Delegacia de Polícia de Embu das Artes, com a observação de "dúvida razoável quanto a tratar-se de suicídio", e segue sendo investigado.

Estadão
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