Operação investiga possível desvio de mais de R$ 5 milhões da Santa Casa de Uruguaiana
As apurações concentram-se em contratos e pagamentos realizados principalmente entre 2019 e 2024
O Ministério Público do RS deflagrou a Operação Ouro de Tolo para investigar desvios superiores a R$ 5 milhões na Santa Casa de Uruguaiana entre 2019 e 2024. A ação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em seis estados contra gestores, ex-secretários e empresários. Conduzida pelo GAECO, a apuração mira crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, focando em superfaturamento de consultorias, serviços de tecnologia e contratos médicos com fortes indícios de fraude.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta quarta-feira (7) uma operação para investigar possíveis desvios superiores a R$ 5 milhões na gestão da Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, na Fronteira Oeste. A ação, batizada de Operação Ouro de Tolo, cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em 11 cidades de seis Estados.
As ordens judiciais foram cumpridas em Uruguaiana e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, além de municípios de Santa Catarina, Paraná, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ao todo, 37 medidas judiciais foram executadas, com participação de cerca de 100 agentes.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa relacionados à administração do hospital.
Segundo o MPRS, entre os alvos estão gestores, administradores, empresários e empresas que mantiveram relações contratuais com a Santa Casa. Onze pessoas físicas são investigadas, incluindo ex-secretários. Nenhum integrante da atual gestão do Executivo municipal está entre os investigados.
As apurações concentram-se em contratos e pagamentos realizados principalmente entre 2019 e 2024. Entre as suspeitas estão superfaturamento, pagamentos irregulares, possíveis conflitos de interesse e ocultação ou destruição de documentos e informações que deveriam estar disponíveis para fiscalização.
Uma das frentes analisa contratos de consultoria e tecnologia firmados entre 2023 e 2024, que juntos ultrapassaram R$ 5 milhões. O objetivo é verificar se os serviços eram necessários, se foram efetivamente realizados e se os valores pagos eram compatíveis com o trabalho executado.
Também são investigadas possíveis irregularidades em contratos de serviços médicos. O GAECO busca verificar se os atendimentos informados foram realmente prestados e se havia correspondência entre pagamentos, escalas e serviços realizados.
Os investigadores identificaram ainda um aumento expressivo nas despesas com serviços de terceiros, que passaram de R$ 3 milhões em 2019 para R$ 13,7 milhões em 2024. No mesmo período, os gastos com honorários médicos cresceram 165%.
A operação busca apreender documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a reconstruir os fluxos financeiros e administrativos da Santa Casa. A investigação ainda está em andamento e deverá esclarecer a eventual responsabilidade dos envolvidos e o destino dos recursos sob suspeita.
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