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Nunes diz que governo federal não libera ampliação da faixa azul de motos há dois anos

Ministério dos Transportes afirma que coleta de dados foi concluída em abril, diz que relatório está em avaliação técnica e prevê pedir mais informações

8 out 2026 - 14h43
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Resumo
O prefeito Ricardo Nunes acusou o governo federal de travar há dois anos a expansão de 82 km da Faixa Azul em São Paulo, atribuindo a demora a motivações políticas. O Ministério dos Transportes informou que conclui a análise técnica dos dados e exigirá informações extras. Apesar de as mortes de motociclistas terem batido recorde na capital, a gestão municipal defende a eficácia do modelo, alegando que o aumento de fatalidades nos trechos exclusivos foi bem inferior à média geral da cidade.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que, há dois anos, aguarda a autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para ampliação da Faixa Azul, corredor exclusivo para motos em São Paulo. Esse modelo tem sido testado como uma alternativa para reduzir as mortes de motociclistas na cidade, que bateram recorde neste ano.

"Desde 2024, tenho pedido para ampliar 82 quilômetros e o (pedido ao) governo federal está engavetado, não me libera. Vamos ver se passando a eleição, a gente consegue essa autorização", disse na manhã desta quinta-feira, 8, em entrevista à Rádio Eldorado.

O Ministério dos Transportes afirma que a "coleta de dados em campo foi encerrada em 30 de abril de 2026, dando início à etapa de avaliação técnica dos relatórios". A pasta informa ainda que a "análise do relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) encontra-se em fase de conclusão".

A pasta também diz que vai pedir "informações complementares sobre metodologia empregada e os resultados, especialmente no que se refere aos índices de sinistros e fatalidades, bem como ao desempenho da sinalização experimental em diferentes tipos de via".

O projeto-piloto foi instituído em São Paulo em 2022, na Avenida 23 de Maio, e depois expandido. O formato de faixa exclusiva de motos também foi adotado para outras cidades paulistas - Diadema, Matão, Santo André e São Bernardo do Campo -, além de quatro capitais - Fortaleza, Recife, Salvador e Porto Alegre.

Pela legislação brasileira, qualquer nova marcação, cor ou placa que não faça parte das normas nacionais padrão precisa de aprovação das autoridades nacionais de trânsito.

Segundo o Município, os trechos com análise pendente incluem, entre outras ruas, a Avenida 23 de Maio, na região central e a Avenida Teotônio Vilela, na zona sul.

Para cada trecho, a Prefeitura enviou um estudo sobre a necessidade de implementar a Faixa Azul. Nos relatórios técnicos, a gestão apresenta resultados quanto à melhoria da fluidez viária e à redução da gravidade dos sinistros.

O prefeito ainda criticou o ex-ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), candidato derrotado ao governo de Alagoas. "Infelizmente, por uma visão míope da política, eles não estão autorizando. O ministro acabou de perder a eleição para o estado dele. O pessoal faz maldade e vai vindo o retorno, né?", afirmou Nunes. Procurado pela reportagem, Renan Filho não falou.

Trechos com corredor exclusivo não tiveram redução de vítimas

A implementação das faixas azuis não foi capaz de baixar as mortes de motociclistas, mas a gestão Nunes aponta que a alta de óbitos tem sido menor nos trechos com esse modelo.

Segundo relatório da CET de abril, o aumento de mortes de motociclistas foi de 17,5% (de 57 para 67) entre 2022 e o ano passado nesses locais. A taxa é inferior à alta de 66,5% de óbitos de motociclistas na cidade no mesmo período.

Conforme a Prefeitura, foram 475 mortes de motociclistas no trânsito de São Paulo no ano passado. Nunes afirma que é preciso considerar o aumento da frota, que chega a 1,4 milhão de motocicletas, e também os casos de imprudência do próprio condutor.

"Temos um resultado muito positivo. Reduzimos em 47% o número de acidentes onde existe a faixa azul. A gente precisa ampliar", acrescenta o prefeito.

Nunes também tem falado sobre o risco de aumento maior da violência no trânsito com a liberação do transporte de motos por aplicativo na cidade. As empresas do setor têm afirmado adotar medidas de segurança para os trabalhadores e passageiros.

Estadão
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