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Mensagens revelam como agia mulher de policial suspeito de ligação com PCC: 'Rouba de quem rouba'

Investigação é a mesma que apura esquema de corrupção que resultou na morte de Vinícius Gritzbach; reportagem não conseguiu contato com as defesas de Danielle e 'Rogerinho'; em nota, a Polícia Civil diz que não compactua com desvios de conduta

24 fev 2025 - 17h50
(atualizado em 25/2/2025 às 10h08)
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A mulher suspeita de lavar dinheiro para criminosos, Daniella Bezerra dos Santos, expunha a amigos em redes sociais as práticas de seu atual marido, o agente da Polícia Civil Rogério de Almeida Felício, o 'Rogerinho', para extorquir dinheiro de criminosos.

Em outra conversa, com o próprio 'Rogerinho', ela questiona como vão receber um dinheiro que era devido a seu ex-marido, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) morto na prisão. O policial diz que fará a cobrança usando uma viatura policial descaracterizada. "Vou lá no bar e dou um cacete nele."

As mensagens foram obtidas pelo Ministério Público de São Paulo, com a ajuda da Polícia Federal, e embasaram o pedido de prisão preventiva de Danielle Bezerra dos Santos. A investigação é a mesma que apura o esquema de corrupção que resultou na morte de Vinícius Gritzbach, delator de policiais e de integrantes do PCC. 'Rogerinho' é um dos policiais presos por suspeita de ligação com a facção criminosa.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Danielle e 'Rogerinho'. Em nota, a Polícia Civil disse que Rogério de Almeida Felício não foi preso por suspeita de envolvimento na execução de Vinícius Gritzbach e, sim, por conta de outros crimes praticados anteriormente à morte de Gritzbach. A corporação ainda esclarece que não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem os protocolos da instituição.

O MP acusa Danielle de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido de prisão dela. O caso corre em segredo de Justiça.

Segundo dados da Receita Federal, o policial Rogerinho é dono de empresas como a consultoria em segurança Punisher, uma construtora e uma administradora de bens próprios, todas com sede em Praia Grande, na Baixada Santista, além de vários imóveis. Em redes sociais, ele ostenta relógios de luxo e viagens com a mulher. Danielle não é listada como sócia das empresas.

Na sexta-feira, 21, o MPSP, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia contra ela e outras 11 pessoas, suspeitas de "conluio entre agentes públicos, integrantes do PCC e operadores da facção". Foram denunciados dois delegados, seis investigadores, dois empresários e um advogado, além Danielle.

Os investigados podem responder pela prática de lavagem de capitais e de crimes contra a administração, como peculato e corrupção passiva.

Esta é a segunda denúncia no âmbito da Operação Tacitus, que resultou na prisão, inclusive, de delegados e investigadores da Polícia Civil. Os promotores apontam que Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado em 8 de novembro do ano passado, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, "exerceu papel estruturante na construção e funcionamento de um sofisticado esquema financeiro ilícito". Gritzbach acusava os policiais de terem recebido R$ 30 milhões em propinas para acobertar os crimes de integrantes do PCC.

O MPSP requereu o "confisco alargado" de R$ 40 milhões dos denunciados, bem como a manutenção das medidas cautelares já impostas pelo Judiciário. As informações serão compartilhadas com a Corregedoria da Polícia Civil e com outros órgãos do Ministério Público que vão apurar atos de improbidade identificados na investigação.

Em nota, a Polícia Civil diz que permanece à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público para colaborar com as apurações.

Informa ainda que as investigações sobre o homicídio ocorrido em 8 de novembro de 2024, no Aeroporto de Guarulhos, seguem em andamento pela Força Tarefa criada para esclarecer o caso. O principal suspeito de ser o mandante do crime e seu comparsa foram identificados e diligências prosseguem para a prisão de ambos, que seguem foragidos, assim como um terceiro suspeito, apontado como "olheiro" do crime.

Estadão
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