Justiça decreta prisão de 3 suspeitos por mortes em série em SP; polícia descarta 'serial killer'
Ao menos dez casos foram registrados do começo de setembro em diante; alguns deles foram marcados por esquartejamentos e desovas de corpos em sacos pretos
A Justiça de SP decretou a prisão de três suspeitos por envolvimento em ao menos dez execuções com desova de corpos ocorridas desde setembro na capital e Grande SP. A Polícia Civil investiga a ligação do trio com o "tribunal do crime" do PCC e busca cumprir mandados de busca e apreensão. Apesar do pânico gerado em redes sociais pela brutalidade dos crimes, que incluíram esquartejamentos, a polícia descartou a atuação de um serial killer, apontando dinâmicas distintas e sem assinatura única.
A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de três suspeitos por envolvimento em uma série de mortes com características de execução ocorridas em diferentes regiões da cidade de São Paulo e região metropolitana.
Até aqui, ao menos dez casos, alguns deles marcados por decapitação, esquartejamento e desova de corpos em sacos pretos, foram registrados do começo de setembro em diante.
Agora, a Polícia Civil de São Paulo tenta localizar os primeiros suspeitos identificados na investigação. Nesta quarta-feira, 14, as equipes cumprem ainda três mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos alvos.
Uma das hipóteses, ainda investigada, é que o trio atuaria no chamado "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC), espécie de Justiça paralela da facção. A atuação de um "serial killer" (assassino em série) é descartada pela polícia.
Como mostrou o Estadão, usuários têm levantado a hipótese nas redes sociais de que as ocorrências estariam ligadas à atuação de um possível serial killer, sobretudo por conta da brutalidade dos casos - algumas postagens sobre isso viralizaram em plataformas como TikTok e Instagram.
Essa linha, porém, é descartada pela Polícia Civil. Segundo nomes da alta cúpula da instituição ouvidos pela reportagem, apesar das semelhanças, não há elo aparente entre as ocorrências que indique atuação de uma só pessoa.
"Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo", disse em vídeo publicado nas redes sociais na última quarta-feira, 7, a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela maior parte das ocorrências.
De acordo com a delegada, são casos com dinâmicas diferentes, reunidos nas redes sociais porque alguns dos corpos encontrados estavam em sacos, cobertores ou tecidos. "Esse tipo de acondicionamento infelizmente é recorrente para transportar e ocultar cadáveres. Mas, isoladamente, não constitui a assinatura de um criminoso", disse.
Um outro ponto que soma nesse entendimento é que os casos ocorreram em diferentes regiões: com o corpo encontrado na última segunda-feira, 12, na região do Belenzinho, foram cinco ocorrências na zona leste, duas na sul, além de uma na zona norte, outra na oeste e uma última em Itapecerica da Serra, região metropolitana.
Entre os casos, estão o de um corpo encontrado amarrado e ensacado no dia 5 de setembro na região do Jabaquara, zona sul, e o de outro cadáver localizado esquartejado no dia 19 do mesmo mês no Jaçanã, zona norte. Outras ocorrências envolvem ainda corpos encontrados em diferentes condições sobretudo em sacos plásticos ou mantas.
Até o último balanço, em pelo menos sete casos as vítimas já foram identificadas. Agora o DHPP busca avançar na identificação de suspeitos e no esclarecimento das possíveis motivações, além de tentar prender o trio alvo dos primeiros mandados expedidos pela Justiça.
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