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Imigração a Portugal é puxada por setores do turismo, tecnologia e educação

Abertura do sistema universitário, investimento na tecnologia de informação e crescimento do turismo atraíram brasileiros

14 jul 2019
03h12
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LISBOA - Nos últimos quatro anos a chegada dos brasileiros se acentuou por causa do aquecimento de dois setores da economia portuguesa: turismo e tecnologia. E pela abertura cada vez maior do sistema universitário.

"São setores (turismo e tecnologia) que crescem muito. Na área de TI especialmente, há empresas globais se mudando para o país, e o evento internacional Web Summit, mas não existe mão de obra qualificada suficiente", diz a advogada Gilda Pereira, sócia da Ei assessoria imigratória. Dessa forma, sobram vagas. "Os brasileiros têm a oportunidade de emigrar com boas possibilidades de emprego, para um país que fala o mesmo idioma."

A empreendedora brasileira Vanessa Caldas Alexandre, de 38 anos, chegou a ter uma startup nos Estados Unidos, e relata que estudou a possibilidade de mudança para sete países e, entre eles, Portugal era o que estava mais atrasado nos negócios de e-commerce. "Muita gente criticou a escolha. Várias empresas de tecnologia estão vindo para cá, o governo incentiva o empreendedorismo. Neste momento Portugal está preparado para promover a inovação tecnológica. E o Brasil tem a aprender: algumas empresas daqui vendem em até 20 ou 30 países; e é preciso conquistar cada cultura."

Na área de tecnologia, de acordo com o relatório The State of European Tech, Portugal foi o segundo país com maior crescimento em postos de trabalho entre 2017 e 2018 no Velho Continente, atrás somente da França. O estudo mostra ainda que 27% das vagas para a área tecnológica continuavam abertas ao fim de 60 dias, por causa de uma escassez de mão de obra.

No ano passado, conforme relatório World Travel & Tourism Council, o turismo cresceu 8,1% em relação a 2017, a maior taxa entre os países da União Europeia. Naquele ano, o setor empregava 1,05 milhão de trabalhadores; as projeções indicam que neste ano os empregados do turismo cheguem a 1,2 milhão.

Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou a ser utilizado como seleção pelas instituições portuguesas em 2014. No total, 1,2 mil brasileiros já foram aprovados para estudar no país europeu até o ano passado - com 35 universidades adotando o exame.

O prédio da reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal; abertura do sistema universitário do país facilitou entrada de brasileiros
O prédio da reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal; abertura do sistema universitário do país facilitou entrada de brasileiros
Foto: Reprodução/Universidade Nova de Lisboa / Estadão

Isso sem falar na exigência menor: em Direito, por exemplo, um dos cursos mais concorridos no Brasil, a nota de corte mínima do Enem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma do Ministério da Educação que reúne vagas no ensino superior público, foi de 676 pontos em 2017, na Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Para estudar nas universidades de Lisboa, do Porto ou de Algarve, a nota exigida é de 600. Resultado: do ano letivo 2017/18 para 2018/19, a alta na chegada de "zucas" é de 32%, segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência.

"No Brasil, comecei Engenharia Ambiental, mas não me identifiquei. Estava pensando em mudar para o curso de Ciências do Mar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), quando uma amiga comentou que eu poderia usar a nota do Enem para fazer Biologia Marinha na Universidade do Algarve", conta José Renato Batista, de 24 anos, que há 1 ano e 8 meses trocou Santos pelo Faro, no sul português.

"Fiquei sabendo que a instituição é referência na Europa nessa área. Mandei minha nota, os outros documentos que pediam, e esperei", afirma Batista. "Foi um processo bem simples - e eles me aceitaram."

Estadão
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