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Homem se passava por colecionador para traficar armas no RJ

No imóvel de Vitor Furtado Rebollal Lopes, conhecido como Bala 40, foi encontrado um arsenal composto por 55 armas, sendo 26 fuzis

25 jan 2022 20h20
| atualizado às 21h18
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Um arsenal composto por 55 armas, sendo 26 fuzis, foi apreendido em uma casa no Grajaú (zona norte do Rio) na tarde desta terça-feira (25) durante operação conjunta promovida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). No imóvel morava Vitor Furtado Rebollal Lopes, conhecido como Bala 40.

O suspeito, preso na segunda-feira (24), em Goiás, com 11 mil munições, se valia de um certificado de colecionador de armas para comprar as peças e fornecer a criminosos. Seus principais clientes eram integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.

Ministério Público do Estado do Rio
Ministério Público do Estado do Rio
Foto: Divulgação/MP-RJ / Estadão

A operação desta terça-feira visava prender outras 20 pessoas acusadas de associação para o tráfico, mas nenhuma delas foi localizada, então ninguém foi preso. As ordens de prisão haviam sido expedidas pela 1ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

Os fuzis são do modelo AR-15 e 5.56 e custam cerca de R$ 70 mil cada um, conforme a polícia. Ao todo, as 26 peças são avaliadas em mais de R$ 1,8 milhão.

O arsenal era composto ainda por 21 pistolas, 3 carabinas, 2 revólveres, 1 rifle calibre 22, 1 espingarda calibre 12 e um mosquetão, além de munição. As armas foram levadas para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho (zona norte).

Sobre a operação

A apreensão foi realizada por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme). Integrantes do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-RJ, também participaram da ação, que resulta de uma investigação iniciada em março de 2018 no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.

"Com a prisão do denunciado, em Goiás, requisitamos ao juízo a expedição dos mandados de busca e apreensão e conseguimos realizar essa apreensão de um grande número de armas na residência do denunciado", contou o promotor de Justiça Rômulo Santos, integrante do Gaeco.

A reportagem procurou representantes de Lopes, mas não localizou ninguém até a publicação deste texto.

Detalhes da investigação

A investigação começou em março de 2018, após incursão de policiais civis da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, quando foram apreendidas drogas e celulares. A análise dos aparelhos e as interceptações telefônicas realizadas com autorização da Justiça permitiram identificar integrantes da facção Comando Vermelho e suas funções na hierarquia do tráfico.

A denúncia do MP-RJ que motivou a operação desta terça-feira afirma que criminosos se associaram para a prática da venda de drogas em três pontos principais da região metropolitana do Rio: em São Gonçalo (Complexo do Salgueiro, complexo da Almerinda, Morro da Viúva e no Jardim Catarina), em Niterói (Morro do Preventório) e no Rio de Janeiro (comunidades do Jacarezinho, Rato Molhado, Morro do Engenho, Manguinhos, Complexo do Lins, Parque União e Fallet-Fogueteiro).

De acordo com o MP-RJ, os 20 denunciados têm papel relevante de comando, gerenciamento ou de execução das atividades essenciais para o tráfico nesses locais, em esquema violento e com domínio territorial e intimidação de comunidades. Ainda segundo a denúncia, os membros da facção praticam diversos outros delitos, além da venda de entorpecentes, como a compra e venda de armas de fogo e munições, execução de roubos coordenados, receptação de veículos e a prática de homicídios em série, dentre outros.

Pelas redes sociais, o governador Cláudio Castro (PL) parabenizou a polícia, referindo-se ao número de fuzis originalmente anunciado (e depois corrigido).

"Acabo de receber um telefonema do secretário (estadual de Polícia Civil) Allan Turnowski informando que a @PCERJ encontrou um arsenal com 27 fuzis dentro de uma casa no Grajaú. Parabéns Polícia Civil por impedir que essas armas de guerra chegassem às mãos de criminosos. Investigação, inteligência e ação!", escreveu.

Estadão
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