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Greve da CPTM: corrida por app 4x mais cara e lotação nos trens e ônibus Paese

Sem acordo com o Governo de SP, ferroviários mantêm paralisação nesta quarta-feira, 5; Estado critica a greve e reforça plano de contingência.

5 ago 2026 - 12h24
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A supervisora de logística Leticia Marques, moradora de Itaim Paulista, zona leste da capital, e a auxiliar de informática Jéssica Garcia, de Suzano, na Grande São Paulo, utilizam linhas de trem diferentes até o trabalho, mas ambas foram afetadas pela greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que chegou ao segundo dia nesta quarta-feira, 5. Ambas viram os preços de corridas por aplicativo mais do que dobrarem e precisaram enfrentar ônibus e trens lotados para chegarem ao trabalho.

"Está muito complicada a falta de trem. Eu levo 20 minutos para chegar da estação Suzano à Guaianases. Ontem demorei 2h de Paese", contou Jéssica enquanto aguardava o trem da Linha 11-Coral no Tatuapé às 7h40 desta terça-feira na volta do trabalho noturno.

Na foto, passageiros tentam entrar no trem na estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Na foto, passageiros tentam entrar no trem na estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Para chegar em casa, Jéssica terá de utilizar novamente o ônibus estadual, que substitui emergencialmente o transporte sob trilhos durante paralisações, já que a Linha 11 está operando apenas da Barra-Funda a Guaianases. "O Paese está muito cheio e com um intervalo de passagem muito grande, mas a viagem por aplicativo, que, geralmente é R$ 20, estava R$ 85, então não sobra alternativa."

Letícia também relata que as corridas por aplicativo da sua casa para o trabalha ficaram muito acima da média: subiram de R$ 30 para R$ 80. Ela utiliza diariamente a Linha 12, desde a estação Itaim Paulista, mas, nesta terça, o trem opera apenas entre Brás e Engenheiro Goulart. "Tive de mudar o meu trajeto totalmente. Peguei ônibus cheio até Itaquera e agora vou pegar a 11-Coral e nem sei que horas vou chegar no trabalho", disse antes de se espremer para entrar em um vagão já lotado.

O autônomo Elierson Marques normalmente leva 45 minutos da Estação Suzano ao Brás, onde trabalha de madrugada. Na noite de segunda-feira, o trajeto levou 2h30 de Paese.

"Travou tudo no horário de pico em Guaianases. A gente teve de descer bem antes da estação e ir andando por causa do trânsito. Tava um caos", disse ao se preparar para embarcar novamente na Linha 11 sabendo que terá de enfrentar o Paese novamente de Guaianases até Suzano.

O analista contábil Gustavo Soares desistiu de ir presencialmente ao trabalho na metade do caminho. "Já demoro duas horas e meia normalmente. Com a greve, não tem nem previsão de chegada."

Segundo dia de greve

A greve entrou no segundo dia nesta quarta-feira, mantendo impactos na circulação dos trens. As linhas 11-Coral e 12-Safira operam parcialmente, enquanto a linha 13-Jade circula com maiores intervalos. A Linha 10-Turquesa, que não é atingida pela paralisação, mantém o funcionamento normal.

A greve foi mantida após assembleia realizada na noite de terça-feira, 4, quando a categoria decidiu dar continuidade ao movimento.

A paralisação que começou na terça-feira, 4, não tem previsão de término. Novas negociações entre o sindicato e o governo podem ocorrer ao longo desta quarta-feira.

Na foto, passageiros na estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Na foto, passageiros na estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Em nota, o Governo de São Paulo manifestou "absoluto repúdio à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais".

"Ao insistir na paralisação, o sindicato evidencia que sua motivação ultrapassa qualquer reivindicação trabalhista e se concentra na defesa da reestatização de serviços concedidos, conferindo caráter eminentemente político ao movimento", acrescentou.

A gestão estadual também afirmou que tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis para assegurar a prestação do serviço público e responsabilizar os envolvidos pelo descumprimento das determinações judiciais.

Greve dos ferroviários entra no segundo dia em São Paulo.
Greve dos ferroviários entra no segundo dia em São Paulo.
Foto: Malu Mões/Estadão / Estadão

Situação das linhas, segundo a CPTM:

  • Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve)
  • Linha 11-Coral: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Estudantes e Guaianases. O trajeto ocorre apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases)
  • Linha 12-Safira: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart. O trajeto é feito somente entre Brás e Engenheiro Goulart)
  • Linha 13-Jade: linha está circulando com maiores intervalos entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto Guarulhos; há atendimento do sistema PAESE de reforço de ônibus em frente às estações
Greve da CPTM persiste nesta quarta-feria, 5. Na foto, filas de passageiros na catraca da estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Greve da CPTM persiste nesta quarta-feria, 5. Na foto, filas de passageiros na catraca da estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Os ferroviários protestam contra a concessão das linhas 11, 12 e 13 à concessionária Trivia Trens e cobram garantias de que não haverá demissões durante a transição dos funcionários da CPTM. O sindicato também reivindica a reestatização da operação, alegando falta de segurança jurídica para os trabalhadores e problemas registrados desde a transferência do serviço para a iniciativa privada.

O governo paulista afirma que já assegurou a manutenção dos empregos durante o processo de realocação dos funcionários e classifica a greve como "injustificável". Segundo a gestão estadual, a paralisação prejudica milhares de passageiros e ocorre mesmo após a apresentação de propostas para atender às principais reivindicações da categoria.

Plano de contingência

Para minimizar os impactos, o Estado mantém um plano de contingência, com 195 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), integração entre modais e monitoramento da operação ao longo do dia. Na terça-feira, foram 128 ônibus.

A CPTM acionou seu plano de contingência, priorizando o atendimento nos trechos de maior demanda. A Linha 11-Coral, que tem operação parcial entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, conta com 95 ônibus entre Guaianases e Estudantes. Na Linha 12-Safira, onde os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart, há 90 ônibus entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart.

Já a linha 13-Jade conta com 10 ônibus para fazer o trajeto entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart. O Expresso Aeroporto não está operando. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa operam normalmente.

A TIC Trens, responsável pela linha 7-Rubi, reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e opera com frota máxima nos horários de pico. A concessionária mantém monitoramento permanente da demanda e poderá ampliar a oferta de trens ao longo do dia, caso necessário.

No Metrô, a linha 3-Vermelha mantém operação especial para minimizar os impactos da greve dos ferroviários. Já as demais linhas estão com operação normal. A linha, que atende parte da zona leste da capital e faz integração com as linhas afetadas, conta com composições adicionais em circulação.

Na foto, passageiros na estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Na foto, passageiros na estação Guaianases, zona leste de São Paulo.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Funcionamento do Metrô de São Paulo

  • Linha 1-Azul: operação normal
  • Linha 2-Verde: operação normal
  • Linha 3-Vermelha: operação especial
  • Linha 4-Amarela: operação normal
  • Linha 5-Lilás: operação normal
  • Linha 15-Prata: operação normal
  • Linha 17-Ouro: operação normal

Rodízio permanece suspenso

A Prefeitura de São Paulo também mantém suspenso o rodízio municipal de veículos. Nesta quarta, não poderiam circular no centro expandido da cidade os carros com placas final 5 ou 6, nos horários entre 7h e 10h e entre 17h e 20h. Com a suspensão, os carros poderão circular em toda a cidade em quaisquer horários do dia.

Desde o último dia 24, as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a Trivia Trens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.

Estadão
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