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Fúria do mar causa estragos no Rio de Janeiro

1 mai 2011 - 02h35
(atualizado em 1/6/2011 às 12h59)
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Forte ressaca, com ondas de até 4 m, atingiu no domingo as praias de Rio, Niterói, Maricá e Saquarema. As ondas gigantescas atraíram curiosos e causaram estragos: em Copacabana, depósitos e banheiros de quiosques próximos ao Copacabana Palace ficaram alagados, para desespero de comerciantes. Nos postos 6 e 11, a força das águas destruiu partes do calçadão. As fortes ondas ainda eram vistas nesta segunda-feira, quando turistas japoneses fotografam a praia no mirante do Leblon. A Marinha alertou a população para não frequentar as praias por pelos menos três dias.

O mesmo ocorreu em Niterói, nas praias de Icaraí, da Boa Viagem e das Flechas, no Ingá, onde rua, portarias e garagens de prédios foram invadidas pelas águas. Guardas municipais chegaram a interromper o trânsito entre a Praia da Boa Viagem e das Flechas por volta do meio-dia de domingo para evitar que carros fossem levados. O trecho mais crítico, entre as ruas Dr. Nilo Peçanha e Dr. Paulo Alves, no Ingá, lembrava uma praça de guerra, com pedras, partes de asfalto e barras de ferro arrancadas do calçadão.

Segundo moradores, o mar começou a ficar violento na madrugada de sábado. "Foi assustador. O barulho das ondas no calçadão não deixou ninguém dormir. As janelas do prédio tremiam. Eu nunca vi nada parecido aqui", contou a aposentada Anete de Mello, 75 anos, que mora em frente à Praia das Flechas. Muitos reclamavam de uma reforma feita na orla, que pode ter facilitado a destruição. "A prefeitura aumentou o calçadão. Mas deixou a mureta com pouca sustentação. Quando o mar bate, entra embaixo do calçadão, força e destrói o chão. Foi feito para explodir", disse o engenheiro Jorge Yusim, 55 anos.

No outro extremo de Niterói, em Jurujuba, pescadores tiraram pequenos barcos da areia, onde costumam ficar guardados, depois que um foi destruído pelas ondas. Todos foram colocados na calçada.

Ressaca deve permanecer

A ressaca, que atingiu todo o litoral das regiões Sul e Sudeste, teve origem devido a um ciclone extratropical que veio do Sul do País, acompanhado de frente fria, segundo o Serviço Meteorológico Marinho, do Centro de Hidrografia da Marinha. Há 10 anos, não ocorria uma ressaca forte como essa, de acordo com a Marinha.

A previsão é de que as ondas continuem violentas até a madrugada de amanhã. A tendência, de acordo com a Climatempo, é que o mar comece a baixar a partir de quarta-feira, quando as ondas voltarão ao tamanho normal, de aproximadamente 1 m.

Já o clima não sofrerá muitas alterações. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a frente fria que atingiu a região está se afastando, mas as baixas temperaturas devem continuar nos próximos dias. Ontem, a temperatura máxima registrada no Rio foi de 22,7ºC, em Realengo, e a mínima de 14ºC no Alto da Boa Vista. Hoje, o tempo continua nublado e com possibilidade de chuvas isoladas durante a manhã. A máxima prevista é de 24ºC e a mínima de 12ºC.

Campeonato cancelado e lagoa invadida pelo mar

As grandes ondas assustaram até quem é profissional do ramo. Em Saquarema, as baterias finais de um campeonato de surf que ocorreria na praia de Itaúna foram canceladas depois que surfistas e organizadores concluíram que a realização do evento seria inviável devido ao tamanho das ondas. Já em Maricá, o mar revolto chegou a invadir a lagoa e poucos se arriscavam a pisar na areia.

"O mar está maior do que era previsto. Está difícil passar a arrebentação mesmo com jet-ski. Se há risco para os surfistas, temos que cancelar", disse Pedro Müller, diretor da prova em Saquarema.

O campeonato, que deveria ocorrer hoje, ainda tem 12 surfistas na disputa. "Todos têm consciência de que hoje (domingo) não há condição de disputar", disse o catarinense Willian Cardoso, campeão da etapa no ano passado.

Já em Copacabana, na zona sul do Rio, mesmo com bandeiras de alerta vermelhas, dezenas de surfistas amadores enfrentaram o mar revolto. Em Icaraí, Niterói, a cena se repetiu durante toda a tarde de ontem. Até o início da noite não havia registro de afogamento, de acordo com os bombeiros.

Retirar da areia

Em toda a orla do Rio, moradores e turistas acompanhavam - algumas vezes bem de perto - o estouro das ondas. O exercício do dia foi correr para escapar do banho salgado e gelado. Mas a ressaca deu trabalho a muita gente. Porteiros de prédios e garis tiveram que se desdobrar para retirar areia das garagens de edifícios e ruas.

Somente na praia do Leblon, foram tiradas 10 t de areia da ciclovia. A avenida Atlântica, em Copacabana, sentido Leme, teve o tráfego interrompido à noite para que o trabalho fosse realizado. Em Niterói, moradores se juntaram aos porteiros para tentar desobstruir a entrada dos prédios. Com pás, eles tiravam areia e pedras para tentar fazer barricadas. "Vamos ver se conseguimos segurar um pouco a água", dizia Antonio Claret, 55 anos, que passou a tarde tirando pedras da calçada do prédio onde mora.

Outro grupo de moradores retiravam pedaços maiores de paus e de ferro para evitar que, levados pela ondas, atingissem e danificassem as grades da fachada do edifício. "Vamos esperar parar de entrar água na garagem para tirar com a bomba", contou o advogado José Nogueira, 46 anos.

Com informações da Agência O Dia.

Colaboraram com esta notícia os internauta Rafael Henrique, de Bragança Paulista (SP), José Carlos Pereira de Carvalho e Nayrob Santana, do Rio de Janeiro (RJ), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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