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'Foi uma ação ilegal, não legítima', diz porta-voz da PM sobre operação em Paraisópolis

Dois PMs foram presos após matarem suspeito que já estava rendido. Coronel Massera disse reconhecer o erro e alegou que polícia não pode 'retroceder no resgate da cidadania dos moradores' da comunidade

11 jul 2025 - 11h56
(atualizado às 14h16)
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Porta-voz da PM, o coronel Emerson Massera afirmou nesta sexta-feira, 11, que a ação dos policiais em Paraisópolis foi ilegal e ilegítima. Dois PMs foram presos em flagrante após os confrontos na comunidade. "Foi uma ação ilegal, não legítima, que levou à prisão", afirmou Massera.

De acordo com a PM, os agentes atiraram em um morador, identificado como Igor Oliveira de Morais Santos, de 24 anos, quando ele já estava rendido, com as mãos na cabeça. Os PMs não tiveram os nomes divulgados, mas têm histórico de envolvimento em ocorrências com confrontos, de acordo com o porta-voz.

O jovem não tinha antecedentes como adulto, mas registro de ato infracional por roubo e tráfico. A PM não conseguiu determinar a quantidade de tiros. "Dois policiais efetuaram os disparos. Não havia nada que justificasse nesse momento o disparo por parte da força policial".

As prisões foram feitas após análise das imagens das câmeras corporais. Ao todo, quatro policiais participaram da operação -os outros dois também foram indiciados, mas não presos.

"Reconhecemos nossos erros, lamentamos, mas não podemos retroceder no trabalho de resgatar a cidadania de quem mora em Paraisópolis", disse o coronel.

Na visão do porta-voz, o erro não pode ser atribuído à falta de treinamento ou ao despreparo - os dois eram considerados experientes. "Eles sabiam que estavam cometendo erros e optaram por isso. A falta de treinamento não pode ser justificativa".

Após a morte de Igor, houve protestos generalizados na região. "A manifestação provavelmente foi motivada por isso (morte de Igor). Mas é fato que tivemos ocorrências legítimas. Não foi uma manifestação de moradores. Foi uma manifestação de criminosos. O crime tenta aliciar pessoas para engrossar essas manifestações".

Barricadas com objetos queimados fecharam ruas de acesso à comunidade e o trânsito foi interrompido em parte das avenidas Avenida Giovanni Gronchi e Hebe Camargo, no Morumbi.

Ao Estadão, moradores relataram que o policiamento foi reforçado após a noite de confronto na comunidade. Segundo relato de moradores à reportagem, a situação segue tensa. "5h da manhã já tinha helicópteros [da PM] sobrevoando a comunidade. O clima é de medo".

Moradores também afirmam que tiveram dificuldades para acessar suas casas por conta dos bloqueios feitos pela polícia nas entradas de Paraisópolis.

A situação, de acordo com a moradora, não é atípica. Os conflitos com o tráfico são intensos e as incursões da polícia sempre violentas. "Dificilmente a polícia faz uma operação sensata. Ontem parecia uma guerra civil".

As Polícias Civil e Militar apuram as ocorrências. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os conflitos começaram à tarde, quando os policiais foram acionados para uma denúncia de homens armados em um ponto de venda de drogas.

Ao chegarem ao local, três suspeitos fugiram em direção a uma casa. Foi nesse momento que Igor Oliveira foi morto. Foram apreendidas armas de fogo, munições, entorpecentes e anotações do tráfico.

Horas depois, uma outra ação terminou em troca de tiros, um suspeito morto e um PM da Rota ferido. De acordo com os policiais, o suspeito tinha antecedentes criminais. "Os policiais acabaram sendo encurralados pelos criminosos e houve intensa troca de tiros.

Os confrontos deixaram um policial baleado no ombro, sem risco de morte, internado no Hospital das Clínicas. Os médicos avaliam necessidade de cirurgia.

As ações são investigadas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), por meio de inquérito policial.

Imagens que circulam na internet mostram vários focos de incêndio nas ruas do entorno de Paraisópolis, moradores correndo pelas ruas e homens armados com pedaços de madeira. Carros foram virados em meio aos protestos. Alguns automóveis que passavam pelo local também foram apedrejados e motoristas, agredidos.

A Tropa de Choque da Polícia Militar foi deslocada para Paraisópolis e a comunidade foi cercada. Equipes do Corpo de Bombeiros também foram mobilizadas.

Ainda segundo a PM, foram apreendidos 2 pistolas, 1 revólver, 7 carregadores de pistola, sendo 2 com prolongadores. Também foram apreendidos drogas, dinheiro e celulares.

Estadão
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