Falsa psicóloga infantil atuava há mais de 3 anos na Região Metropolitana de Porto Alegre
A maioria dos atendimentos realizados pela falsa psicóloga teria sido com crianças entre 6 e 10 anos
Uma mulher de 33 anos é investigada por atuar como psicóloga infantil sem formação em Porto Alegre e cidades da Região Metropolitana. A suspeita foi alvo da Operação Superego, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (16), que cumpriu mandados de busca e apreensão em supostos consultórios da investigada nos municípios de Canoas e Guaíba, além de um endereço no bairro Cristo Redentor, na Capital.
A mulher é suspeita de ter praticado falsidade ideológica, exercício ilegal da profissão e estelionato. Ela responde ao processo em liberdade.
Durante a ação, foram apreendidas quatro pastas com recibos, receituários médicos, carimbos com inscrição de psicóloga, agendas de atendimento, cartões de visita, um canudo de formatura do curso de Psicologia e fotos da suspeita usando toga em uma universidade. Conforme a Polícia Civil, não há registro da mulher no Conselho Regional de Psicologia.
Segundo o delegado Fábio Motta Lopes, a investigada usava o número de registro profissional de uma psicóloga legítima, residente em Ivoti, no Vale do Sinos. A fraude veio à tona no dia 22 de maio, quando a mãe de uma criança desconfiou de inconsistências em um recibo de atendimento e localizou a verdadeira profissional pela internet. Alertada, a psicóloga autêntica registrou boletim de ocorrência.
"A mãe de uma criança, após notar incongruências no recibo de uma consulta, resolveu buscar informações na internet e constatou a farsa. Ela também alertou a psicóloga de Ivoti, que registrou um boletim de ocorrência", explicou o delegado.
A mulher foi ouvida, mas optou por ficar em silêncio durante o depoimento.
Crianças entre as vítimas
A maioria dos atendimentos realizados pela falsa psicóloga teria sido com crianças entre 6 e 10 anos. Por esse motivo, um segundo inquérito foi aberto na 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A titular da unidade, delegada Alice Fernandes, informou que três vítimas infantis já foram identificadas, mas que o número pode ser muito maior.
"Até o presente momento, há registros policiais de três crianças que teriam sido atendidas pela falsa psicóloga. No entanto, considerando o longo tempo de atuação dela, não descartamos que o número de vítimas possa chegar a centenas", afirmou a delegada.
As investigações seguem para identificar outras vítimas e esclarecer como a suspeita conseguiu manter a farsa por mais de três anos sem ser descoberta.